As boas surpresas do Brasil
POR SOLANGE SOUZA
Um dos problemas dos vinhos nacionais de boa qualidade é o preço. Por que pagar tanto por um vinho nacional se podemos comprar ótimos importados por um preço menor? Levando em conta apenas este item, a Cordilheira de Santana está no caminho certo. Seus vinhos, elogiados entre os especialistas no assunto, custam R$ 42,00 e, considerando que se trata de um “vinho de butique”, ou seja, de pequena produção, e de boa qualidade, não é muito. Outro grande acerto foi a escolha do local, a região de Palomas, em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai, a 31º de latitude sul, a uma altitude média de 200 metros (a área total é de 46 hectares). Se o terroir é importante, quem faz o vinho também é, e muito. Neste caso, a união de dois profissionais experientes, o enólogo Gladistão Omizzolo e a engenheira química Rosana Wagner, que atuaram em empresas como Seagram e Pernod Ricard, faz diferença. A paixão pelo projeto veio antes da união dos dois na vida, uma prova de que vinho e amor têm tudo a ver. O casal cuida de tudo: do vinhedo, da vinificação e da comercialização. O trabalho no vinhedo teve início em 1999 e a primeira safra foi lançada em 2005. No primeiro lote dois vinhos tintos e dois brancos: Cabernet Sauvignon 2003; Merlot 2004; Gewurztraminer 2004 e Chardonnay 2004. Todas as uvas são de vinhedos próprios e o casal garante que não usa a chaptalização (adição de açúcar para aumentar a graduação alcoólica). “Em nossos vinhos tudo é natural”, conta Rosana.
vinhos Gewurztraminer 2004: com a riqueza de aromas característica da casta (frutas, como a lichia, e flores), este vinho tem ótima acidez, é intenso e apresenta muito frescor. Um ótimo exemplar nacional, que permite boas harmonizações à mesa.
Chardonnay 2005: em sua segunda safra (a primeira, de 2004, teve produção de 2.100 garrafas), tem 30% envelhecido em carvalho por 1 ano. O resultado é um vinho rico em aromas e sabores.
Merlot 2004: esta casta costuma ter ótimos resultados em território nacional e este exemplar confirma a teoria. Uma pequena parte passa 6 meses em madeira, resultando num vinho suave, equilibrado e frutado.
Cabernet Sauvignon 2004: com graduação alcoólica de 13,2% e em sua segunda safra, tem uma rápida passagem por barrica, apresenta ótima acidez e muita fruta.
Tannat 2005: com 18 meses em barrica, o tannat Cordilheira de Sant’Ana recém-lançado confirma que a proximidade com o Uruguai, país famoso pelos vinhos desta casta, torna possível um ótimo vinho com esta varietal.
www.cordilheiradesantana.com.br
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