NOTÍCIAS DO VINHO
OS MELHORES VINHOS DO BRASIL Uma pergunta tem sido recorrente em quase todo o Brasil. QUAL É O MELHOR VINHO BRASILEIRO? Seria um vinho espumante, seria um tinto, seria um branco?
POR ARTHUR P. DE AZEVEDO
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| Alguns dos vinhos top brasileiros: Miolo Merlot Terroir, Salton Desejo Merlot, Cuvée Luiz Argenta, Salton Talento e Paralelo 8 |
Antes de tentar responder a esta difícil questão, seria interessante voltarmos alguns anos no tempo e ver o trabalhoso caminho trilhado pelos nossos produtores, que passaram por muita dificuldade para produzir apenas um vinho modesto, que dirá um vinho que atraísse o interesse dos exigentes consumidores, acostumados a degustar ótimos vinhos de todo o mundo, que inundaram as prateleiras de lojas e supermercados no início dos anos 1990, fruto da abertura de nossas fronteiras para todos os produtos importados.
É claro que nem só ótimos vinhos entraram no País – vide os famigerados vinhos alemães de garrafa azul, que durante anos fizeram a festa de muitos consumidores brasileiros. Esses vinhos tinham a seu favor o fato de serem importados, o que por si só garantiria a sua qualidade, na visão míope de então.
Aos produtores brasileiros estavam reservados o desprezo e a pouca importância que se dava ao produto nacional. A história começou a mudar no final da década de 1990, quando uma pequena vinícola de Bento Gonçalves, até então desconhecida do público, lançou seu primeiro vinho fino no mercado, estabelecendo um marco na produção de vinhos no Brasil. A vinícola em questão é a hoje conceituada Miolo, que foi seguida por outros produtores brasileiros, em especial a Salton, que também resolveu sair da confortável posição de produtora de vinhos correntes, para se aventurar no nem sempre amigável mercado de vinhos de alta qualidade.
Investimentos maciços, a base do sucesso
O primeiro problema a ser resolvido foi a má qualidade dos vinhedos, freqüentemente acometidos por doenças de naturezas diversas, e ainda por cima plantados em locais pouco ensolarados e em solo argiloso, cuja natureza retém água e dificulta o desenvolvimento da parreira. Muita pesquisa foi necessária para que fossem encontradas soluções adequadas para estes problemas, resolvidos com a mudança dos lugares de plantio e com o uso de clones (plantas geneticamente modificadas), que se adaptam perfeitamente às condições preexistentes.
Nas vinícolas foi necessária uma total remodelação, reequipando-as com o que há de mais moderno em todo o mundo. O resultado deste esforço foi a melhora sensível dos vinhos, permitindo que muitos deles pudessem competir em nível de igualdade com vinhos das mais famosas regiões produtoras de todo o mundo. Recentemente a crítica de vinhos Julia Harding, assistente da famosa escritora de vinhos Jancis Robinson, testou vários vinhos brasileiros, dando-lhes altas pontuações. O resultado pode ser conferido no site www.jancisrobinson.com
Bem, e a resposta à pergunta inicial, como fica? Difícil responder, pois hoje o Brasil produz vinhos de praticamente todos os estilos e com uvas muito diversas, ampliando o universo de escolha por parte do consumidor, que está finalmente muito bem servido pelos produtores brasileiros. Muitas vinícolas novas surgiram em todo o território nacional. Santa Catarina, Vale do São Francisco, Campanha (RS) e muitas outras regiões disputam hoje o cobiçado título de “melhor terroir” do Brasil. Posso no máximo dar algumas dicas: fique de olho nos vinhos produzidos com a uva Merlot na Serra Gaúcha, nos vinhos da Moscatel de Vale do São Francisco, nos Pinot Noir, Syrah, Chardonnay e Sauvignon Blanc de Santa Catarina e nos espumantes produzidos em diversas regiões do Brasil, especialmente em Garibaldi e na Serra Gaúcha. Essas são as tendências mais fortes para os próximos anos.
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ARTHUR P. DE AZEVEDO é jornalista especializado em vinhos, presidente da Associação Brasileira de Sommeliers, diretor-editor da revista Wine Style, palestrante e consultor. www.artwine.com.br
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