degustação
Português mais moderno O enólogo domingos soares franco não tem medo de inovações, como mostra no seu novo PERIQUITA RESERVA 2004
POR SOLANGE SOUZA
O enólogo português Domingos Soares Franco, da vinícola José Maria da Fonseca, esteve no Brasil para o lançamento do Periquita Reserva 2004, que segundo ele foi feito para atender ao consumidor, principalmente do mercado externo. E desse assunto Domingos entende bem, já que o Periquita tem 75% de sua produção voltada para o exterior. O Brasil é grande consumidor desses vinhos (o Periquita é o vinho europeu mais vendido no País), assim como a Suécia: "nos Estados Unidos temos tido dificuldade há alguns anos por conta da desvalorização do dólar frente ao euro", comenta Domingos. Além do Reserva 2004 (R$ 45), a linha inclui o Periquita Clássico 2001 (R$ 65-70), o Periquita 2004 (R$ 24) e o Periquita Branco (R$ 24), comercializados no Brasil pela Diageo.
O Periquita Reserva 2004
Produzido com as castas Castelão (50%), Touriga Nacional (30%) e Touriga Franca (20%), foi envelhecido por 8 meses em madeira. O resultado é um vinho sem a rusticidade típica dos vinhos portugueses, portanto, mais fácil de tomar. Elegante e com ótima acidez, é, segundo o enólogo, "um vinho para um consumidor mais preparado, mais exigente". Indicado para acompanhar carnes vermelhas ou queijos, é aconselhável que seja servido a uma temperatura de 13ºC e consumido no máximo a 16ºC (variação que o vinho pode ter em contato com a temperatura ambiente).
A marca Periquita
A José Maria da Fonseca foi fundada em 1846, quando o proprietário que dá nome à vinícola comprou terras na Cova da Periquita. O nome acabou se confundindo com a uva, que na verdade é a Castelão, o que causou uma série de problemas anos depois, com alguns produtores que tentavam pegar carona no sucesso do Periquita. Mais associada aos vinhos tintos, a marca incorporou à sua linha o Periquita Branco, lançado no ano passado primeiro no Brasil e depois em Portugal, com ótima aceitação. A marca faz sucesso ainda na Suécia e em outros países escandinavos.
O enólogo
Domingos Soares Franco, além de vinhos, entende bem de consumidor: "Consigo interpretar nas mínimas expressões do rosto se a pessoa gosta ou não de um vinho." Diante de tanta concorrência, com os vinhos do Novo Mundo, acha que a Europa precisa se modernizar. "Existem máquinas que facilitam muito, mas o mercado europeu não aprova a importação. Costumo dizer que a Europa está velha." Aberto a inovações, Domingos é a favor de modernidades, como as screwcaps: "Ainda não uso, mas sou favorável desde que para vinhos de consumo alto, não para vinhos premium". Entretanto, acredita que a rolha ainda tem sua magia: "Nos restaurantes, o consumidor gosta de ouvir o som da rolha saindo". Quanto à rolha sintética, acha que deve ser o mais diferente possível da verdadeira, para não parecer que o consumidor está sendo enganado. Sobre o Bag in the Box (que já é usado em seus vinhos para a Escandinávia), acha uma boa saída para conservar a bebida: "O vinho mantém-se por 3 semanas depois de aberto." Mas acredita que a aceitação destas embalagens é muito difícil em alguns países, por estarem associadas a vinhos de baixa qualidade.
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