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Home: Revista: Vinhos Janeiro/2008

notícias do vinho
Um brinde aos espumantes nacionais
A qualidade dos vinhos espumantes produzidos no brasil tem melhorado consideravelmente, fruto de investimentos de monta, não só nos vinhedos como também nas vinícolas. uma boa opção para o fim de ano.


POR ARTHUR P. DE AZEVEDO

DivulgagaçãoUm vinho espumante nada mais é do que um vinho no qual se dissolveu o gás carbônico, da primeira ou segunda fermentação, dependendo do tipo de espumante. Claro que estamos descartando, em princípio, os muito baratos, nos quais o gás carbônico é injetado artificialmente, o que os desqualifica liminarmente. São "refrigerantes de vinhos" disfarçados. Exemplos? Os péssimos Lambruscos amplamente disponíveis no mercado brasileiro.

Como se trata de um vinho espumante, o que vai definir sua qualidade final é a qualidade do vinho-base e o cuidado com que a espumatização foi realizada. Entenda- se por espumatização o processo pelo qual o gás carbônico vai ser incorporado à massa vínica. Basicamente existem três processos diferentes para se atingir este objetivo.

O primeiro deles pode ser chamado de Processo Asti, realizado em cubas de aço inox pressurizadas, onde ocorre apenas a primeira (e única) fermentação, que é interrompida pelo frio. O gás carbônico fica retido no líquido e o resultado é um vinho doce, de baixo teor de álcool, delicado e muito agradável. Faz ótima companhia para frutas frescas, especialmente o morango. No Brasil, chama-se Moscatel Espumante e bons exemplos são o Salton Moscatel Espumante, o Terranova Miolo Moscatel Espumante e o Rio Sol Moscato Canneli.

O segundo método é chamado de Charmat. Aqui ocorrem duas fermentações, sendo a segunda delas realizada em tanques pressurizados. Resultam do processo espumantes frescos e aromáticos, alguns bastante expressivos como o Chandon Excellence (topo de gama) e o Chandon Brut, além do Salton Reserva Ouro. A opção econômica nesta categoria é o Salton Brut, fresco e delicado, com boa acidez e corpo leve. Também por este método são produzidos espumantes levemente adocicados, como os Chandon Passion e Chandon Demi-sec e o Salton Demi-sec, muito agradáveis e ótimos para quem não dispensa um pouquinho de doçura nas bebidas. Outra opção interessante é o frutadíssimo e aromático Rio Sol Rosé, produzido no Vale do São Francisco e que deve fazer muito sucesso no verão. Aqui vale lembrar de um espumante que faz muito sucesso, o Prosecco, que para quem não sabe é o nome de uma uva italiana, base do espumante que leva o seu nome. O melhor exemplar em terras brasileiras é o Salton Prosecco Brut, produzido em Bento Gonçalves (RS).

O terceiro e último método é conhecido como Champenoise, por ser utilizado obrigatoriamente na região de Champagne, e pressupõe que a segunda fermentação se dará obrigatoriamente na garrafa que será comercializada futuramente. Aqui, o espumante resultante costuma ser mais austero e complexo, com aromas de leveduras e frutas secas. São também mais caros e sofisticados. Os exemplos mais famosos são o Cave Geisse, tanto nas versões Brut (mais econômica), quanto na Brut Nature Terroir 2002 e Brut Rosé; o Miolo Brut (econômico) e o complexo Miolo Brut Millésime 2004. A Salton produz seu topo de gama por este método, o Salton Evidence. Também são interessantes o Dal Pizzol e o Pizzato Brut, este último produzido exclusivamente com a uva Chardonnay.

Opções não faltam para o consumidor, que poderá encontrar os espumantes mais simples em supermercados e os mais sofisticados em lojas especializadas. O importante é comemorar o fim do ano em grande estilo, festejando na companhia daqueles que lhes são caros. O resto é história...



ARTHUR P. DE AZEVEDO é jornalista especializado em vinhos, presidente da Associação Brasileira de Sommeliers, diretor-editor da revista Wine Style, palestrante e consultor. www.artwine.com.br
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