Branco que te quero branco Injustiçados por natureza, os vinhos brancos têm no verão a sua chance de conquistar novos consumidores, que para isso precisam estar dispostos a ampliar seus horizontes
POR ARTHUR P. DE AZEVEDO
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| RIESLING Os vinhos feitos desta uva são bastante aromáticos e apresentam acidez intensa, o que os torna bem adequados para o verão |
Os vinhos brancos, especialmente no Brasil, sofrem uma odiosa e injusta discriminação, fruto da falta de informação e do preconceito da maioria dos consumidores. Alguns mais radicais têm a desfaçatez de dizer que os vinhos brancos nem são vinhos, recusando- se terminantemente a experimentá-los. Mal sabem que estão perdendo a chance de conhecer alguns vinhos interessantes e agradáveis, amplamente disponíveis em praticamente todos os países produtores.
Quando se pergunta sobre vinhos brancos, a esmagadora maioria das respostas invariavelmente se refere a vinhos produzidos com varietais francesas, tais como a Chardonnay e a Sauvignon Blanc, para ficar nas mais comuns. Com repertório tão restrito, é realmente fácil enjoar dos vinhos ou mesmo não gostar de um deles, o que acaba tirando o interesse em explorar novos sabores. Para se ter uma idéia de como a coisa funciona, há alguns anos foi criado nos Estados Unidos um movimento batizado de “ABC – Anything but Chardonnay”, ou seja, qualquer coisa menos Chardonnay.
Para explorar melhor o universo dos BRANCOS, prove vinhos do Velho Mundo, com suas uvas características
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| BRANCOS ITALIANOS Para sair das uvas mais conhecidas, como a Sauvignon Blanc e a Chardonnay, experimente os brancos da Sicília |
Por que então não alargar os horizontes e conhecer novos vinhos? Na própria França, a Alsácia é uma fonte inesgotável de vinhos incríveis, secos ou doces, baseados em uvas nobres como a Riesling ou a Pinot Gris, que juntamente com a exótica Gewürztraminer compõem um time de primeira grandeza no domínio dos brancos. Ainda na França, mais precisamente no Vale do Loire, reina a Chenin Blanc, uma uva versátil e matriz de bons vinhos, em regiões como Savennières e Quarts de Chaume, esta última especializada em vinhos doces de elite.
Outros países europeus também podem trazer boas surpresas para os consumidores, tais como a Alemanha, esta sim a campeã das injustiças, graças ao desserviço prestado ao País pelos famigerados vinhos da “garrafa azul”. Regiões como Mosel e Rheingau têm ótimos produtores, que transformam a nobre uva Riesling em vinhos de grande personalidade e expressão, com aromas de flores, petrolato e frutas delicadas (maçãs, pêssego), sustentados por intensa acidez, o que os torna muito adequados para o verão.
Na Itália, experimente a notável Inzolia, uma das jóias do repertório da Sicília, que bem tratada dá origem a vinhos de rara complexidade e elegância. E na Península Ibérica, para não nos estendermos em demasia, fique com a Albariño e a Verdejo, na Espanha, e com a Arinto e a Antão Vaz em Portugal. E a Chardonnay, está definitivamente descartada? Claro que não! Se houver qualquer dúvida, é só experimentar algumas das maravilhas da Borgonha, como o Montrachet du Domaine de La Romanée-Conti, um dos patrimônios da humanidade.

ARTHUR P. DE AZEVEDO é jornalista especializado em vinhos, presidente da Associação Brasileira de Sommeliers, diretor-editor da revista Wine Style, palestrante e consultor. www.artwine.com.br
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