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Cerveja pede sobremesa Cilene Saorin
Cerveja combina com sobremesa? A resposta a esta descrente pergunta surpreende os mais desavisados: sim, as cervejas não só combinam com sobremesas como também podem fazer parte delas. Diferentes bases de sobremesa harmonizam com estilos variados da bebida. A cerveja tem elementos capazes de combinar com doces à base de chocolate, de frutas cítricas, de frutas vermelhas, entre outros.
Difícil imaginar? Então sugiro mergulhar em estilos de cerveja como Dunkel, Porter, Stout, Strong Dark Ale, que apresentam em suas receitas maltes de elevadas intensidades de torrefação e que se revelam em inconfundíveis aromas de café, chocolate e caramelo.
estou bebendo
a cerveja francesa Jenlain Ambrée, da Brasserie Duyck. Do estilo Bière de Garde, é encorpada, com notas herbais de lúpulo, frutas secas, maltes tostados e caramelo, com 7,5% de álcool (R$ 12, a long neck)
Ou então estilos como Barley Wine, Old Ale, que envelhecem bem e evoluem em notas de baunilha, amêndoa, madeira, frutas secas. Ou ainda estilos como Lambic, Gueuze, Faro, que enveredam pela acidez pedindo escandalosamente uma sobremesa como parceira.
Com inspiração e criatividade, a cerveja torna-se ingrediente de receitas de sobremesa. Servida em taça de sorvete, a cerveja Stout recebe bolas de sorvete de baunilha e de crocante de café. E a interação entre o amargor da cerveja e a doçura do sorvete é imediata, numa interessante harmonização por contraste. A característica refrescante se mantém, trazendo à tona elementos aromáticos comuns aos ingredientes - baunilha, café e chocolate. O amargor e a carbonatação (gás carbônico presente na cerveja) levantam a doçura, cortando a untuosidade do sorvete e garantindo o prazer da próxima colherada.
Cilene Saorin, mestre cervejeira e beer sommelier, é presidente da Associação Brasileira dos Profissionais em Cerveja e Malte e membro do Comitê Internacional do Institute of Brewing & Distilling. cilene-colab@revistamenu.com.br
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