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Home: Revista: Vinhos Março/2008

harmonia
Divórcio à vista?
Arthur Azevedo

A combinação de vinhos e comida é uma das grandes diversões de quem aprecia as harmonizações de aromas, texturas e sabores. O casamento perfeito é aquele que valoriza tanto o alimento quanto o vinho, ressaltando as suas qualidades e criando o chamado "terceiro sabor", que não existia. O desafio desta união à mesa me veio à mente durante o madridfusión, o mais importante evento de gastronomia da Espanha e talvez do mundo.

As propostas gastronômicas apresentadas foram de tirar o fôlego. Nem os mais ousados chefs poderiam imaginar o que se faz hoje na cozinha. Ostras líquidas e azeite em pó, para ficar em apenas dois exemplos, produzem sabores e texturas delicadíssimos e inusitados e criam sensações nunca antes experimentadas. De outro lado, degustei, no evento, alguns dos mais prestigiados vinhos da Espanha. As vinícolas do país estão passando por mudanças radicais para se adaptar ao gosto do consumidor e dos críticos. A palavra de ordem é "às favas a sutileza", com vinhos concentrados, encorpados, cheios de fruta e madeira, com baixa acidez e álcool elevado. A antítese do vinho ideal para a comida.

estou bebendo
provei na Espanha um tinto que me emociona muito, o La Rioja Alta Grand Reserva 890 (Zahil, R$ 632 a safra de 1994). Este vinho é a quintessência da elegância.

O resultado? Comida de um lado, vinho do outro. Como harmonizar estes vinhos, pesados e com zero de elegância, com pratos cada vez mais delicados? Será possível? Pouco provável. O badalado chef Ferran Adrià dá a pista, ao afirmar que talvez um espumante seja a melhor escolha para harmonizar com os mais de 40 pratos do seu menu-degustação.

Talvez seja o momento de resgatar os ótimos brancos da Espanha (para ficar na harmonização étnica), especialmente os elaborados com as uvas Albariño e Verdejo, frescos, aromáticos e transbordantes de acidez, de corpo leve e elegante, e as delicadas cavas, os espumantes do país. E os potentes tintos, modernos e exuberantes? Estes serão barrados à mesa, mas têm vez quando provados sozinhos. Aí, eles brilham, sem atrapalhar a moderna gastronomia da Espanha.

Arthur Azevedo viajou para Madri a convite do ICEX/governo da Espanha. Ele é presidente da Associação Brasileira de Sommeliers, palestrante e consultor, arthur-colab@revistamenu.com.br



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