Os primeiros meses de 2008 marcaram uma “invasão” de vinhos importados, elaborados de maneira orgânica, biodinâmica e, agora, natural no Brasil. O ponto máximo desta tendência é a feira Renaissance des Appellations, realizada na última semana de maio em São Paulo, com a presença do enólogo Nicolas Joly, papa dos biodinâmicos. Mas o que são, exatamente, estes vinhos? Orgânicos e biodinâmicos são certificações dadas ao manejo dos vinhedos, nos campos. Na orgânica, que predomina entre as certificações, são vinhas cultivadas sem produtos químicos, apenas com fertilizantes e adubos orgânicos. A vinícola chilena Emiliana (trazida pela Magna Import) é um exemplo, com seus mais de 500 hectares tratados de maneira orgânica. Em muitos casos, este tipo de cultivo é o primeiro passo para o viticultor partir para a agricultura biodinâmica.
Na biodinâmica, além da proibição de agrotóxicos, toda a vinícola é vista como uma fazenda auto-sustentável e gerida pelas forças cósmicas. Sem fazer alarde, o mítico Romanée-Conti é biodinâmico. Natural, por sua vez, é uma nova nomenclatura ainda sem certificação oficial. “São os vinhos feitos sem nenhum agrotóxico, nem produtos como anidrito sulfuroso”, explica Geoffroy de la Croix, dono da importadora de la Croix, focada em rótulos orgânicos e biodinâmicos. Nos dois vinhos certificados, pequeníssimas porcentagens de anidrito sulfuroso são acrescentados para preservar a bebida e permitir que ela viaje, da vinícola ao pontode- venda, sem se transformar em vinagre. Nos naturais, nem isso é acrescentado. “Não coloco nada no vinho para preservar o seu terroir”, diz, em visita ao Brasil, Philippe Pacalet, produtor da Borgonha, que levanta a bandeira dos naturais. Seus vinhos são trazidos pela World Wine. Aos leigos, vale lembrar que são pouquíssimas as pessoas que conseguem identificar, a cada gole, a maneira de cultivo do vinho, se orgânica, bio ou natural. A opção por estes rótulos é mais uma questão de consciência. (Suzana Barelli) |