Vinho nota 100 Benjamim Romeo e o decanter com o seu Contador, tinto que teve a nota máxima do crítico Robert Parker
por Suzana Barelli foto Carlos Villalba
A boina xadrez é a primeira pista da simplicidade do espanhol Benjamim Romeo.Mesmo com duas notas 100, dadas pelo crítico norte-americano Robert Parker a seu vinho Contador, Romeo faz questão de manter sua áurea de agricultor. Todo o dinheiro ganho com o vinho – hoje, a safra de 2004 é vendida por inacreditáveis R$ 1.859 a garrafa, pela importadora Grand Cru –, por exemplo, foi investido na construção de sua nova vinícola, que exigiu gastos de 5 milhões de euros. E ele se confessa um pouco contrariado com a supervalorização de seus vinhos. A seguir, a entrevista.
O que o trouxe ao Brasil?
Comecei a vender para o Brasil em 2002, e hoje o País já representa 7% do nosso volume. Não imaginava que cresceria tão rápido. Só não vendo mais porque não tenho vinho para entregar. Com este crescimento, eu precisava conhecer os brasileiros, o que foi possível agora com a conclusão da nova vinícola.
O que esperar da nova vinícola: mais 100 pontos?
Fiz uma bodega para elaborar muito bem meus vinhos, que antes eram feitos numa garagem onde vivem meus pais, em condições limitadas. Na vinícola, as barricas estão em apenas uma altura, para eu conseguir mexer em cada uma, analisar, acompanhar constantemente o vinho. Trabalho com o sistema de gravidade e tenho espaços próprios, com temperaturas diferentes, para cada vinho.
A produção deve crescer?
Sim. Eu fiz 80 mil garrafas na safra de 2007 e devemos chegar a 120 mil. Daria para elaborar o dobro ou mais. Mas tenho 25 hectares e quero sempre manter a produção própria. Nos vinhos de alta gama, como o Contador, vamos manter os volumes atuais. No Predicador [R$ 165 a garrafa], a idéia é crescer e chegar a 100 mil garrafas.
O sr. esperava os 100 pontos de Parker na safra de 2004 do Contador?
Foi uma surpresa, assim como os 100 pontos de 2005. Jamais imaginaria receber 100 pontos em duas safras seguidas. E o 2005 é melhor que o 2004. Parker sempre me pontuou bem. Quando eu trabalhava no Artadi [vinícola em Rioja], o El Pisón teve 99 pontos. Até então nenhum vinho espanhol tinha obtido uma pontuação tão alta. É preciso ter uma trajetória anterior para se chegar aos 100 pontos.

Eu nunca daria 100 pontos a um vinho. Isso seria a perfeição, o que não existe
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