Vinho nota 100 Benjamim Romeo e o decanter com o seu Contador, tinto que teve a nota máxima do crítico Robert Parker
por Suzana Barelli foto Carlos Villalba
Um vinho vale 100 pontos?
Eu nunca daria 100 pontos a um vinho. Isso seria a perfeição, o que não existe. Mas esta pontuação foi muito positiva, e eu tenho de agradecer. Mas não posso deixar de reconhecer que Parker é uma opinião, e as notas de vinho são opiniões subjetivas.
Como Parker analisa os seus vinhos?
Não sei. Ele nunca esteve na minha vinícola. Ele gosta do estilo de vinhos que eu faço, mas não faço o vinho para ele. Quando eu faço um vinho, penso sempre na maneira que eu posso trabalhar a matéria-prima para fazer o melhor vinho possível.
O que mudou depois dos 100 pontos?
Eu não mudei. O que mudou foi o mercado, que paga mais pelos vinhos. Mas há muita especulação com os vinhos bem pontuados. O Contador se valorizou quatro, cinco vezes. Quando um vinho valoriza tanto, há problemas. Se eu vendo uma garrafa para o Brasil, eu quero que ela seja bebida em seu país, e não que um inglês a compre e leve para a Inglaterra. O vinho viaja sem condições. E na garrafa está o meu nome.
O sr. é um dos responsáveis em trazer o estilo mais moderno para Rioja. Como surgiu esta idéia?
Venho de uma família de vinicultores, mas a minha geração foi pioneira em pensar em comercializar vinhos. Antes, vendíamos a granel. O que acontece é que desde os anos 1970, houve um descuido dos vinhedos de Rioja. Os enólogos iam de aventais brancos e faziam seus vinhos nos laboratórios. Nos anos 1980, nós começamos a ir a campo, fazer seleção de vinhedos, a usar barricas novas, francesas. Este processo resultou em vinhos mais modernos, com mais fruta, mais complexidade.
Como o sr. vê a divisão de vinhos modernos e tradicionais?
Hoje, o atípico são as vinícolas que fazem o vinho tradicional, em que se sente a madeira mais velha. Mas é importante também manter este estilo, que é parte do nosso patrimônio. PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 |