Serra gaúcha
Vinho hi-tech A vinícola Salton aposta no equilíbrio entre tecnologia e cuidados nos vinhedos para elaborar seus espumantes, brancos e tintos
por Suzana Barelli, de Bento Gonçalves (RS) fotos Murillo Constantino/ag. IstoÉ
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| A rosa e os vinhedos com pedras de calcário em Tuiuty e, ao lado, a entrada da vinícola, com o seu relógio solar |
A imensa sede da Salton, na área rural de Tuiuty, pequeno distrito da serra gaúcha, resume a filosofia desta vinícola brasileira, às vésperas de seu primeiro centenário. O relógio de sol, no alto da fachada do prédio, e as rosas, plantadas ao lado dos vinhedos, bem em frente à sede, não deixam dúvidas da ligação dos herdeiros de Paulo Salton com a natureza. Se o sol é o mais pontual dos relógios, as flores, mais sensíveis às pragas que as videiras, funcionam como um alarme se alguma doença está prestes a atacar as vinhas.
Mas é preciso entrar na vinícola para entender toda a filosofia da Salton que, além da natureza, acredita muito na tecnologia de ponta. “A Salton é super up-to-date”, resume Ângelo Santon, presidente da empresa. Inaugurada em 2004, a nova sede reúne em seu interior inacreditáveis 265 tanques de aço inox, dos mais diversos tamanhos, com controle de temperatura, e capacidade para receber os 19 milhões de quilos de uva da safra de 2008 – 2 milhões a mais do que na safra de 2007. O xodó de Lucindo Copat, o diretor de enologia há mais de duas décadas na vinícola, parece ser os dois pequenos autoclaves, com capacidade para 250 litros cada. Neles, Copat faz experiências com os espumantes que, se bem sucedidas, são reproduzidas nos gigantes tanques de até 66 mil litros.

Ao seu lado, modernas prensas pneumáticas, seis laboratórios e um espaço reservado para o aguardado filtro tangencial, uma máquina italiana recém-comprada por 150 mil euros. “É o melhor em termos de filtração”, afirma Copat, que acompanha as principais novidades tecnológicas de seu setor. No início deste ano, por exemplo, ele estava numa feira técnica na Alemanha. Seu próximo passo é trocar as rolhas de cortiça pelas tampas de rosca, também conhecidas como screw cap, para as linhas mais básicas de vinhos. “As tampas de rosca são uma tendência para os vinhos jovens”, afirma Copat.
A tecnologia chega até a sala de barricas, climatizada e com suas 1.200 unidades de carvalho francês, americano e húngaro. Um moderno sistema joga pequenos vapores d´água no ambiente para manter a umidade ideal. É neste ambiente subterrâneo que envelhecem os rótulos de maior qualidade da empresa, nos quais Copat conta com a consultoria do enólogo argentino Angel Mendoza. São eles o Talento, uma mescla das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat; e o Desejo, elaborado apenas com Merlot, que desponta como a melhor cepa tinta da serra gaúcha.Nos espumantes, está o Evidence, feito pelo mesmo método dos champanhes franceses (os demais espumantes da casa seguem o método charmat, com a segunda fermentação nos gigantes autoclaves). Há ainda 13 mil garrafas de um espumante que envelhecem nas caves subterrâneas, criadas para comemorar os 100 anos da vinícola, completados em 2009. Nos planos de Copat está ainda um branco Premium, atualmente em experimentos com a uva Chardonnay.
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Lucindo Copat e algumas das 1.200 barricas da empresa |
A tecnologia é destaque na sede da vinícola, que exigiu investimentos de R$ 30 milhões
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