Elegāncia no prato Vanessa Barone
Os restaurantes por quilo ou self-service são um fenômeno do nosso tempo impossível de ignorar. A praticidade, a fartura e – quase sempre – o preço acessível são convites ao deleite num mundo de cores, texturas e sabores. Ou não. Porque nem todo comportamento está liberado diante do bufê. A falta de critério, por exemplo, é imperdoável.
Na dúvida, é sempre bom pensar no bufê como um grande guarda-roupa, com peças de vários estilos, origens e particularidades. Misturá-las sem cuidado poderia transformar qualquer tailleur Chanel em fantasia de Carnaval.
Portanto, nem pense em querer provar de tudo o que está exposto no balcão à frente – como se fosse a sua última refeição. Os consultores de etiqueta garantem: fica feio. Como acontece com tudo na vida, é preciso fazer escolhas. Sushi ou esfiha? Creme de milho ou feijão? Macarrão ou estrogonofe? Combinar tudo isso, além de possivelmente indigesto, revela uma voracidade que vai além do recomendável para o bom convívio social. Um prato elegante é aquele que segue uma linha coerente, com ingredientes que se complementam para realçar o sabor e ainda garantem uma dieta balanceada. É nesse equilíbrio que mora o bom gosto.
Voltando ao guarda-roupa: tudo bem ter peças com estilos variados. É mesmo monótono vestir-se sempre da mesma maneira. Até porque ninguém é uma coisa só. Acorda-se num dia mais agressivo; em outro, mais romântico. O executivo de hoje é o triatleta de amanhã. É possível gostar da Índia, do Marrocos e não resistir a um pretinho básico do Yves Saint Laurent.
Mas neste caso, novamente, recomenda-se equilíbrio. Não vale querer usar sári com botas de caubói e querer que todo mundo ache normal. É preciso eleger um país, um movimento cultural ou um momento histórico. Com um tema na cabeça, a base do seu prato ou do seu figurino está formada. Aí é ir harmonizando outros ingredientes com parcimônia. Tudo em nome da boa digestão.
Vanessa Barone é jornalista especializada em moda. [vanessa.colab@revistamenu.com.br] |