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Edição 114

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Home: Revista: Seções Maio/2008

Romeu e Julieta
St. Tropez de Todos os Santos
Casa une o clima mediterrâneo e baiano, boas sobremesas, mas patina nos pratos principais

Embora o restaurante St. Tropez de Todos os Santos tenha um nome comprido demais e de gosto duvidoso, a remissão ao mar e a alguns dias de folga é inevitável. De fato, o clima litorâneo está estampado nas redes penduradas no teto, no chão de tijolos e nos postes de luz. E nos pratos, que combinam opções de acento mediterrâneo e baiano, com destaque para os produtos do mar.

Romeu sempre repara na música ambiente, e gostou da MPB de boa qualidade que tocava. Passando ao cardápio, decidimos dividir as entradas: a tapenade de azeitonas presente no crostini de polvo (R$ 27) o encantou. Para mim, faltou um toque de acidez ao prato — de visual instigante, polvo no ponto correto, mas com azeite demais. O mesmo desequilíbrio aconteceu com a salada niçoise de Olinda, cujo sabor acentuado do arenque desagradou-o.Achei que o peixe estava à perfeição, mas faltava acidez ao molho.Também não entendi a releitura que foi feita desta clássica salada francesa. A não ser pela adição de pimentões ou, quem sabe, algum ingrediente novo no molho que, segundo o garçom, levava "sal, azeite e essas coisas”.Ao meu parceiro, coube o veredicto das casquinhas cremosas de siri (R$ 28): "Nada especial", sentenciou.

O romance Romeu e Julieta, de William Shakespeare, e o nosso tradicional queijo com goiabada inspiraram o nome desta nova seção de crítica de restaurantes. Todos os meses, um homem e uma mulher, os dois especialistas na arte de comer bem, avaliam uma casa que mereça destaque no cenário gastronômico brasileiro. Escolhemos um casal porque eles e elas costumam ter sensações diferentes à mesa. O casal não se identifica e paga a conta no final. A revista menu acredita que o anonimato é a maneira mais eficiente de garantir uma avaliação dos restaurantes.

Escolher uma garrafa de vinho para acompanhar a seqüência de pratos nem sempre é tarefa fácil. Optamos por um branco espanhol de Rueda, oferecido na temperatura correta. Tão logo a taça ameaçava esvaziar, lá estava um dos vários garçons pronto a enchê-la. E assim seguíamos em nossa conversa, recheada de comentários sobre os pratos principais. Romeu ficou com o risoto lambe-lambe e eu, com o pescado com caruru baiano (R$ 38 e 56, respectivamente). Duas opções simples, com sabores familiares, mas que chegaram decepcionantes à nossa frente. Trocamos garfadas e o diagnóstico foi o mesmo. Em ambos, o arroz estava aquém do ponto. O lambe-lambe nem sequer emocionou Romeu, cheio de molho de tomate. Idem para o peixe, pouco temperado, mas escoltado por um bem-feito caruru (para Romeu, faltou um toque de pimenta). As sobremesas renovaram nosso paladar titubeante. Romeu aprovou o petit bateau, ovos nevados em creme de doce de leite e castanha- do-pará (R$ 17). Preferi o Iemanjá, manjar de tapioca com delicada calda de ameixa (R$ 15). Saímos de lá nos perguntando se os doces valeriam uma nova tentativa.

St. Tropez de Todos os Santos
rua Haddock Lobo, 1.159, Jardins tel. (11) 3083-1134 São Paulo - SP

fotos Marcelo Fontes/ AG.ISTOÉ
Crostini de polvo


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