Estante Cristiana Couto
Passado culinário
Uma lacuna em nossa literatura culinária acaba de ser preenchida com a reedição de Arte de cozinha e Cozinheiro nacional. Mais do que compilações de receitas, estas obras são documentos para o estudo da alimentação no Brasil. Países como Estados Unidos, Inglaterra e França há muito exploram esse filão, valorizando fontes para a compreensão dos hábitos alimentares de seus antepassados, expressos pelas receitas antigas. Por aqui, esse tipo de literatura esteve, até agora, encerrada em bibliotecas. Arte de cozinha é o primeiro livro impresso de receitas português. Publicado em 1680 e de autoria de Domingos Rodrigues, teve edições e reimpressões por mais de 150 anos, chegou ao Brasil com a Família Real e muitas de suas receitas foram reproduzidas por aqui. Esta primeira edição brasileira reproduz o volume publicado em 1794 e traz, no final, a releitura de 31 receitas feitas pela chef carioca Flávia Quaresma. Cozinheiro nacional é obra originalmente brasileira, editada no final do século 19, de autor desconhecido. Estas novas edições trazem bons textos introdutórios que as localizam no tempo. A pesquisadora Paula Pinto e Silva adota o ponto de vista da antropologia em sua análise de Arte de cozinha, e o sociólogo Carlos Alberto Dória enfatiza as relações de poder à mesa na introdução de Cozinheiro nacional. Ambos são livros instigantes para o leitor que se interessa por culinária, mas frustram um pouco os estudiosos. Iniciativas tão importantes como estas deveriam contemplar a reprodução fac-símile, transformando esses livros em verdadeiras fontes de estudo de nosso passado culinário.
Arte de cozinha
Domingos Rodrigues
Senac Rio (336 págs.)
R$ 79,90
Cozinheiro nacional
Ateliê Editorial/Senac São Paulo (496 págs.)
R$ 65
Difícil de engolir
Nem mesmo a provável inspiração no bem-sucedido seriado Sex and the city dá sabor às páginas de O Clube das chocólatras, de Carole Matthews. Lucy Lombard e três amigas se reúnem para discutir seus problemas cotidianos. Mas Lucy possui uma auto-estima tão sólida quanto o chocolate quente que sorve na chocolateria que serve de ponto de encontro das mulheres, e onde relata seus infortúnios com o namorado mulherengo. Pode-se imaginar, a partir daí, o estilo do romance, repleto de lugares-comuns e de situações humilhantes, condensado num texto raso, difícil de engolir.
Clube das chocólatras
Carole Matthews
Bertrand Brasil (420 págs.)
R$ 49
A arte de harmonizar
Os consumidores estão descobrindo, cada vez mais, que a harmonização entre vinho e comida pode resultar em refeições mais saborosas. A questão é que, aqui, não há uma combinação única nem regras fixas - vários exemplos mostram que a teoria de servir peixe com vinho branco e carne com tinto não é infalível. O caminho para se chegar a uma harmonização prazerosa é seguir alguns princípios, que relacionam o estilo da comida com o da bebida. Explicar estes princípios é a proposta dos experts José Ivan Santos e José Maria Santana no recém-lançado Comida e vinho - harmonização essencial. Eles mostram como os ingredientes de uma receita pedem um estilo de vinho e como características da bebida clamam por um prato. Explicam ainda as características das principais uvas e quais os caminhos para encontrar as boas e as mais difíceis harmonizações com cada uma delas. É um livro imprescindível, o primeiro sobre o tema escrito por brasileiros, e um porto seguro para os gourmets. (Suzana Barelli)
Comida e vinho - harmonização essencial
José Ivan Santos e José Maria Santana
Senac São Paulo (180 págs.)
R$ 40 |