Arturito Nova casa de Paola Carosella traz boas receitas preparadas em forno a lenha e ambiente moderno
Vestindo camiseta descontraída e jeans surrados, a chef Paola Carosella parece destoar no ambiente sofisticado de seu novo restaurante paulistano, o Arturito, em parceria com dois sócios, donos de outras três casas na Argentina. Mas é só uma impressão, causada, quem sabe, pela lembrança da jovem argentina no já extinto Julia Cocina. Naquele simpático restaurante que a consagrou, Paola estava sempre à vista, comandando ativamente sua brigada na cozinha envidraçada que dava para um salão amigável, com paredes de tijolo brancas. Bem diferentes das paredes do Arturito, de madeira escura, que delimitam o salão comprido e com pé-direito alto, sofás discretos e elegantes arranjos de flores. Pois sua comida, conforme eu e Romeu constatamos, merece ser apreciada num ambiente assim, de classe.
Garçons bem informados indicam corretamente os vinhos (com boas opções abaixo dos R$ 100), para acompanhar as cerca de 30 atraentes opções do cardápio. Poucos elementos em cada prato, uma quase obsessão por produtos frescos e de origem e a paixão de Paola pelo forno a lenha estão ali, como um convite. Romeu escolheu como entrada a carta de música com presunto Serrano espanhol, salmorigano (mistura de sal, limão siciliano, orégano e mel) e tomates crocantes (R$ 30). Giovanni, nosso atento garçom, explica: “O pão é tão fininho que, dizem, é possível ler uma partitura através dele.” “Poético”, assentiu Romeu, deliciando-se com as fatias de tomate finíssimas, secas sobre o forno e depois banhadas em azeite, que se confundem com as lascas de jamón Serrano sobre o pão em folha. “Exala frescor”, medita meu parceiro, sobre a nota principal da partitura concebida pela chef. Meus lagostins de Ubatuba, de bom tamanho e preparados em forno a lenha (R$ 36), tinham textura quase cremosa de tão delicados. Dos melhores que já provei.
Entradas e pratos têm porções generosas. Para meu companheiro, escolhi uma macia paleta de cordeiro (também no forno a lenha), com leve purê de batatas (da variedade Bintjie, diz o cardápio, por R$ 60). “Simples na apresentação, pungente no sabor”, avalia Romeu. Provei e provei de seu cordeiro, roubando-lhe também goles de um Côtes du Rhône bastante correto (Parallèle 45, taça a R$ 26), pois senti um pequeno desafino no ravióli de queijo de cabra, sálvia e manteiga de aspargos (R$ 40), que chegou sem sal à mesa – embora perpetuasse sabores cítricos (laranja, limão siciliano), tão ao gosto da chef.
Conhecendo o trabalho de Paola, pareceu-nos acertado dividir um amistoso brioche de sobremesa, umedecido em creme de Cointreau, “dourado com açúcar” e servido com mascarpone e confit de pêssegos (R$ 24). E foi: uma harmonia elegante de texturas e de sabores numa sobremesa tão simples. “Tudo é preparado aqui”, esclarece Giovanni. A jovem cozinheira chega silenciosa à nossa mesa. Pergunta se está tudo em ordem e sorri. Ajeita as flores num vaso e, com simpatia, atende outros clientes antes de voltar para sua cozinha – agora, solenemente escondida no andar superior.
Arturito
rua Artur de Azevedo, 542 – Cerqueira César
(11) 3063-4951 São Paulo — SP
Domingo a quarta, das 19h a 0h; quinta a sábado, das 19h a 1h.
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Nesta crítica de restaurante, Romeu e Julieta, um casal anônimo e especialista na arte de comer bem avalia uma casa de destaque no cenário gastronômico brasileiro. Escolhemos um homem e uma mulher por acreditar que eles e elas costumam ter sensações diferentes à mesa. |
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