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Home: Revista: Vinhos Dezembro/2008

Goles sul-africanos
O mais antigo país na produção de vinhos fora da Europa aproveita a Copa do Mundo de 2010 para alavancar seus tintos e brancos

Por Cristiana Couto, da Cidade do Cabo ( África do Sul )

fotos divulgação/south african tourism
Vista dos vinhedos da região de Paarl
fotos divulgação/south african tourism
Table Mountain, que marca a paisagem da Cidade do Cabo

Safáris, passeios de balão pelas savanas, praias com pingüim e o Cabo da Boa Esperança. Tantas e tão diversas belezas naturais, é quase difícil acreditar que a África do Sul também produza vinhos. Mas esta terra dos leões, leopardos, hipopótamos, elefantes e búfalos, o mais antigo país do chamado Novo Mundo a elaborar brancos e tintos, quer aproveitar a Copa do Mundo, que acontece em seu território em 2010, para mostrar aos estimados dez milhões de visitantes a qualidade de seus rótulos.

Assim, enquanto o país investe na construção dos estádios, seus enológos elaboram novidades para brindar os fãs do futebol - haverá até o vinho oficial da Copa, em três versões: um branco, feito com a uva Sauvignon Blanc, um rosé e um tinto, ambos com a Cabernet Sauvignon. Criado pela vinícola Nederburg, do grupo Distell, o vinho foi batizado de Twenty 10 e seu rótulo está em fase de definição. No Brasil, as primeiras garrafas da Copa chegam em 2009, importadas pela Casa Flora e pela Porto a Porto. Na escolha dos três vinhos, chama a atenção a ausência de um tinto elaborado com a uva Pinotage. Fruto de um cruzamento entre Pinot Noir e Cinsaut (antigamente conhecida como Hermitage), a Pinotage foi desenvolvida no país em 1925, produzida comercialmente a partir da década de 1960, e hoje é a sua cepa emblemática - assim como a Argentina tem a Malbec e o Chile, a Carmenère. A ausência talvez se deva ao fato de a Pinotage, uma uva tânica, escura e rústica, não ser uma unanimidade entre os enólogos do país. "Como pode ser elaborada em vários estilos, é uma uva complexa, difícil de compreender. Uns a amam, outros, a odeiam", explica Rasvan Macici, enólogo da Nederburg e fã da cepa.

fotos divulgação/distell

Hoje, a Pinotage representa 6% dos 101 mil hectares de vinhedos do país e sua área plantada não aumentou. A internacional Cabernet Sauvignon é a tinta mais cultivada: ela ocupa 12,8% dos vinhedos, seguida de Shiraz (9,7%) e da Merlot (6%). Nas brancas, fazem sucesso a Sémillon e a Sauvignon Blanc, além da Chardonnay. Essas variedades representam o novo perfil da viticultura sul-africana, que ganhou fôlego na década de 1990, com o fim da política de segregação racial do apartheid. Desde então, os vinhos da "nação arco-íris" modernizaram-se, ganharam complexidade, refinamento, investimentos e consultoria de enólogos estrangeiros, estabelecendo-se no mercado internacional.

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