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Home: Revista: Romeu e Julieta Dezembro/2008

Boutique Bistrot
Chef mineiro Adilson Soares volta à cena paulistana em ambiente agradável, com pratos que ainda precisam de ajustes

Tudo é meio cor-de-rosa no Boutique Bistrot. Desde os tons violáceos da fachada do restaurante, instalado num antigo casarão, até as paredes listradas e as rosas, em vasinhos, sobre as mesas. Móveis em madeira e uma agradável área ao ar livre entre os dois salões do Boutique tornam o ambiente particular e tranqüilo, longe do burburinho dos notívagos que agitam a região paulistana, atualmente referida como Baixa Augusta. Ao som de uma boa seleção de música pop, Julieta me esperava com um drinque na mão. "Experimente o da casa", sugeriu ela, que aprovou seu drinque preferido, o Cosmopolitan (R$ 14). Foi uma boa pedida o suave Boutique, feito com vodca Absolut de baunilha, hortelã e suco de limão (R$ 18).

Como entrada, optamos por crostines de cogumelos, balsâmico e parmesão (R$ 16), bem temperado, segundo Julieta, mas que, a meu ver, não se destacou nem no sabor nem na apresentação. Os croquetes de filé, com mostarda de Dijon e pepino japonês (R$ 18), estavam saborosos. Eram o destaque entre os petiscos, conforme nos indicou um dos proprietários, Rafael Taveira, que vestia, com descontração (demais, a meu ver), bermudas e camiseta.

Pois essa atenção aos detalhes do serviço deixa a desejar - embora Julieta tenha destacado a simpatia de Taveira, que lhe ofereceu atenciosamente um vinho que não estava entre os selecionados para serem servidos em taça, como queríamos. Mas a decepção de Julieta foi, mesmo, com a comida, pilotada pelo chef Adilson Soares. Pois nos recordamos bem quando o chef surgiu, no extinto Le Tan Tan, e estávamos informados sobre sua temporada em Nova York, com o reconhecido chef pâtissier François Payard.

Essa trajetória de Soares, portanto, prometia mais do que foi oferecido naquela noite de salão ainda vazio. O salmão com cuscuz marroquino e frutas secas (R$ 34) veio menos úmido do que o desejado, e o cuscuz, bastante seco, acompanhado de beterrabas assadas que pareciam desconectadas do prato. Melhor pedida foi minha fraldinha com shoyu, gengibre e purê de berinjela (R$ 32): uma combinação interessante, mas que deixava, ao final, um sabor amargo persistente. A carta de vinhos também desanimou. Limitada na variedade e qualidade de ofertas, bem como na descrição dos rótulos, ora citando produtor, ora região.

Nossa expectativa recaiu, portanto, nas sobremesas, que se destacavam no conciso cardápio. Mas também decepcionaram: não vieram bonitas como a foto, na página ao lado, faz supor. A calda de goiabada que acompanhou o delicado pudim de claras com capim-santo (R$ 12) estava, segundo Julieta, doce demais. Não se saiu melhor a minha opção, a pêra assada com especiarias, coulis de abóbora e frozen iogurte (R$ 12) - a fruta estava cozida além do ponto. Nem tudo são flores no simpático bistrô.

Nesta crítica de restaurante, Romeu e Julieta, um casal anônimo e especialista na arte de comer bem, avalia uma casa de destaque no cenário gastronômico brasileiro. Escolhemos um homem e uma mulher por acreditar que eles e elas costumam ter sensações diferentes à mesa.
fotos Raquel Guedes/ag. Istoé
Em sentido horário, croquetes de filé, o chef Adilson Soares, um dos salões do restaurante e o pudim de claras com calda de goiabada

Boutique Bistrot
rua Fernando de Albuquerque, 77 - Consolação
(11) 3384-0670 - São Paulo - SP
Terça e quarta, das 20h à 0h; quinta a sábado, das 20h à 1h.

 



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