Cores e sabores do verão Vanessa Barone
Há qualquer coisa no verão que pressupõe espaços vazios. Buracos, brechas, fendas e aberturas que deixam a brisa passar livre, para refrescar o corpo e arejar a alma. Há algo no verão que não suporta excessos. Nada de muito pano, de coberturas pesadas ou de camadas sobrepostas. O tempo e a temperatura pedem gestos comedidos - seja na mesa, seja no vestir.
É no verão que se pode abandonar, por fim, o figurino sisudo, os tecidos sintéticos, as cores sombrias - companhia inevitável do inverno.
Os materiais naturais, como algodão, seda e linho, são mais adequados aos dias de calor, formando uma segunda pele sedosa, deliciosa de usar. Para aplacar as altas temperaturas, vale fazer como os beduínos e usar uma fina camada de lã como isolante térmico.
Vale cobrir-se de cores vibrantes e de estampas para decretar férias aos dias cinzentos. É tempo de se expor para deixar o calor aquecer o espírito.
Com a chegada da nova estação, a mesa ganha a suculência das frutas, das carnes magras, das folhas frescas, dos sucos e sumos. Come-se cru, embora sem pressa. O prazer é o principal alimento. Verduras e legumes absolvem as gulodices do inverno, quando o corpo precisava de alimento para se aquecer. No verão, ao contrário, o corpo pede água e ganha a chance de se livrar dos pesos extras. É quando se pode andar mais leve, embora pleno de si. |