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Edição 123

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Home: Revista: Romeu e Julieta Fevereiro/2009

Limonn
Com decoração elegante, o destaque da casa é uma carne armênia, curada com ervas secas, que convida o cliente a voltar

 

Era uma noite de janeiro que pedia mangas de camisa. Talvez seja por isso ou pela oferta de um saudoso português Cartuxa, que Julieta tenha optado por um tinto assim que espiamos a carta de vinhos do Limonn, recém-aberto no Itaim Bibi, em São Paulo. Eu, Romeu, decidi, então, partir para uma noite verdadeiramente carnívora, que tão bem harmonizaria com o vinho escolhido, na casa de cozinha franco-italiana, comandada pelo jovem Christian Burjakian.

Christian e seu irmão, Carlos, não pouparam investimentos em seu primeiro restaurante. Valorizaram a entrada de luz natural, foram discretos na paleta de cores do ambiente e ofereceram conforto, aliado à elegância, no salão, bar e ala de espera e, ainda, montaram uma carta de vinhos com exemplares honestos no bolso e na boca. Seu menu privilegia os clássicos e traz algumas criações do chef.

De minha parte, não foi o vinho, mas as ofertas de carnes e de aves que trilhou nosso caminho, numa noite de preferências pessoais bem distintas. Eu gostei da bruschetta de tomate fresco, mozarela de búfala e manjericão (R$ 13). Julieta, porém, ficou com o recheio, mas rejeitou o pão, que não reconheceu como italiano tradicional. “Peço uma baguete de pão italiano, que fica mais apresentável”, justifica Christian. Porém, menos saboroso, confidenciou- me Julieta.Também preferi a torta de limão (R$ 12), de textura cremosa e açúcar na medida. Ela não: seu doce favorito foi o bolo de doce de leite e coco fresco (R$ 11), que achou delicado e “molhadinho como um bolo de avó”.

Se a ala das sobremesas resolveu-se bem, as escorregadas nos pratos não passaram tão bem pelo crivo afiado da minha parceira. Julieta aprovou seu confit de pato ao molho de mostarda de Dijon com purê de batatas trufado (R$ 46), com carne úmida e purê relativamente delicado. Quanto a mim, alguns ajustes na cozinha podem minimizar deslizes, como entregar um saboroso risoto de queijo de cabra aquém do ponto, que acompanha o lombo de cordeiro (com crosta de pistache, R$ 40) de boa qualidade, mas que merecia, também, um pouco mais de cozimento.

Estes deslizes não chegaram a comprometer a noite: Humberto, o simpático maître-sommelier, e sua equipe de salão mostram conhecimento daquilo que servem e fazem intervenções sensatas, como a de avisar a este casal insaciável que iriam diminuir as porções (e o preço) de uma das três entradas pedidas – um steak tartare com batatas rústicas (R$ 26), que ressaltava além do necessário um sabor adocicado. Com este cuidado, Julieta deixou o preciosismo de lado – mesmo a meia-porção era grande demais para uma entrada.

O melhor prato da noite convida a voltar. É a porção de basturma (R$ 18), uma carne de vaca armênia, curada com ervas secas e cortada finamente, que pode chegar à mesa com a explicação simpática de Christian, que a obtém de um fornecedor da colônia. A importância de valorizar produtos artesanais cativou Julieta. Para nós dois, a carne de sabor poderoso e levemente picante, fruto da páprica utilizada em sua confecção, foi o primeiro grande sabor de 2009.

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