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Edição 123

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Home: Revista: Romeu e Julieta Fevereiro/2009

Seraphini
A aposta garantida da casa, aberta no final de 2008, são os clássicos italianos, como o fusili e a polenta, em contraste com as criações modernas do chef Rogério Alves

fotos: divulgação
Garoupa com ratatouille e molho de beterraba

A primeira impressão ao entrar no restaurante paulistano Seraphini era de que, por algumas horas, minha privacidade estaria em suspenso. A casa, embora tenha uma ampla sala de espera e um bar confortável, onde Romeu me aguardava, despia o salão de uma desejada intimidade, ao desnudá-lo para a rua através de imensas janelas.

Elas me lembravam os vidros de um grande aquário. Romeu me achou exagerada: a decoração elegante do ambiente agradou- o, e sentar-se de costas para os prédios do outro lado da rua lhe trouxeram conforto. Outros incômodos, porém, logo o alcançaram. Um mojito (R$ 15) servido em temperatura ambiente e doce demais deu a meu companheiro a sensação de que a gafe poderia ter raízes num certo descaso dos garçons - tivemos de pedir a reposição do parco couvert e interrompemos, mais de uma vez, nossa conversa para solicitar que nossas taças ganhassem mais vinho.

Ao longo da noite, a porção clássica do cardápio italiano se mostrou mais eficiente do que as criações modernas do chef Rogério Alves, que trabalhou no Due Cuochi Cucina, antes de entregar-se à cozinha do Seraphini, aberto em setembro de 2008. O cuidado no cozimento das massas e peixes reforça o treinamento do chef, como o bem-sucedido fusili artesanal, de fios grossos, ao molho de tomate e pancetta com polpettini (R$ 32).

Ou a polenta branca com gema de ovo, grana padano e trufas (R$ 18), ideal para uma noite de garoa. A polenta foi a entrada que eu, Julieta, ofereci a um desapontado Romeu, diante do kobe beef com bouquet de folhas e molho de ervas (R$ 24) que eu o convencera a pedir. A melhor propriedade desta carne, sua suculência, oriunda da gordura infiltrada entre as fibras, se perdia na forma de carpaccio.

Depois, foi a minha vez de contar com sua generosidade e me oferecer um pouco do seu delicioso fusili. Poucos ingredientes ornavam na proposta mais ousada entre os peixes do cardápio que eu escolhi como prato principal. A garoupa no ponto e sua tenra ratatouille agradavam, mas seus sabores se perdiam num deslocado molho de beterraba e numa enjoativa crosta de macadâmia (R$ 49).

O restaurante foi-se esvaziando, e nossa garrafa de Catena Chardonnay (R$ 82) também chegava ao fim. Romeu achou que era hora de fecharmos o jantar e pediu as sobremesas. Ele se decepcionou com sua sopa de chocolate com raspas de chocolate branco (R$ 16), grossa e pesada como uma fondue. Melhor desempenho teve o meu tiramisù (R$ 15), feito com um bom mascarpone. Assim, não sei se foi a rua, a nos observar por toda noite, ou a comida, que não saiu como esperado, mas deixamos o restaurante com a questão: com tantas boas casas italianas na cidade, daríamos ao Seraphini uma segunda chance?

 



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