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Mulheres no vinhedo À frente das vinícolas, elas elaboraram vinhos considerados femininos e também de estilos masculinos
por Suzana Barelli
Nicole Ponsardin Clicquot é, talvez, o mais conhecido exemplo de mulher no mundo do vinho. Ao ficar viúva aos 27 anos, ela assumiu o vinhedo do marido e revolucionou o processo de elaborar champanhes. Dois séculos depois da veuve (viúva, em francês) Clicquot, é crescente o número de mulheres que também escrevem a sua história nos vinhedos.
Nas últimas duas décadas, principalmente, elas vêm assumindo o cuidado nos vinhedos (a mecanização acabou com o diferencial da força física masculina em atividades agrícolas) e nas vinícolas. "Hoje, as mulheres têm um caminho aberto, que não existia quando eu comecei em 1982", afirma a enóloga argentina Susana Balbo, hoje dona de sua própria bodega.
É só olhar o mapa das regiões vinícolas: em todas elas, há mulheres de destaque e com rótulos premiados (confira a seguir alguns vinhos elaborados por elas). Várias se reúnem em associações, como a italiana Le Donne del Vino. "A ideia é aumentar o conhecimento do vinho, com foco no mundo feminino", afirma Miriam Caporali, dona da Tenuta Valdipiatta, em Moltepulciano, e uma das associadas. E há um guia francês (Le vin au féminin) e outro chileno (Mujer y vino) com vinhos degustados por mulheres.
Mas tudo isso não significa que elas só elaboram vinhos femininos, o que é bom lembrar neste mês de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. Muitos de seus brancos e tintos são potentes e longos, características que, no linguajar de Bacco, são dos chamados vinhos masculinos. A palavra feminina é associada à bebida mais elegante e com taninos macios, que pode ser elaborada tanto por homens como por mulheres.
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