A França das caudas e caldas Vanessa Barone
A programação oficial do Ano da França no Brasil começa em abril e vai passar por vários Estados brasileiros, mostrando que, entre caudas e caldas, a França sempre foi nossa grande referência de bom gosto. E, apesar do impacto abrangente desse país na formação da nossa cultura - desde a vinda da família real para o Brasil, em 1808 -, é na gastronomia e na moda que essa influência se faz mais presente nos dias de hoje.
Desde a época de dom João VI é que cardápio chique deve vir escrito em francês. E é entre souflés e croissants que (e apesar dos Adriàs) ainda vivemos o reinado da culinária francesa, de onde vieram os molhos mayonnaise, madeira e bechamel - além das técnicas de confeitaria e do preparo de guisados. "Apesar de a cozinha de vanguarda estar em alta, a culinária francesa não perdeu seu espaço no cotidiano brasileiro - sobretudo entre as pessoas da elite", diz Ricardo Maranhão, historiador e professor de Gastronomia da Universidade Anhembi- Morumbi, em São Paulo.
No estilo de se vestir, herdamos o corset (espartilho), que fez a fama das damas da belle époque (no final do século 19), e o padrão pied-de-poule, muito usado ainda hoje na roupa formal. Isso sem falar em écharpe, lingerie, calça cigarette e robe.
Porém, mais do que peças de roupa, o principal legado é mesmo a elegância. Nascida nos ateliers de alta-costura, essa elegância ainda hoje é marca registrada da mulher francesa, que pode até exagerar no mille-feuilles, mas certamente ainda vai entrar no tailleur Chanel - e sair de escarpin desfilando gloriosa.
Vanessa Barone é jornalista especializada em moda. vanessa.colab@revistamenu.com.br |