Zucco Casa mescla badalação com cardápio de inspiração italiana e boa carta de vinhos
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Camarões grelhados ao molho de tangerina e aspargos |
Era uma noite muito quente no verão paulistano quando decidimos jantar no Zucco. A casa, instalada na movimentada rua Haddock Lobo, em nada lembra os antigos restaurantes que ocuparam o ponto, como o elegante Café Antique, seu inquilino mais famoso e saudoso, e o efêmero Catherine. O Zucco é um lugar badalado, que reverbera a conversa animada das mesas, num ambiente decorado com a intenção de parecer casual. E que convida a ficar.
Julieta decidiu-se sentar na área externa, um deque com pé-direito alto e uma parede de vidro nos distanciando da rua. Aparentemente mais fresco, foi-se tornando sufocante ao longo do jantar. “O ar-condicionado estará funcionando amanhã nesta área”, desculpou-se o garçom. Diante de um cardápio clássico italiano, com ponderações modernas e surpreendentemente extenso, decidimos pautar nossa refeição pelos produtos vindos do mar, acompanhados de um vinho que trouxesse temperaturas mais baixas à nossa mesa. Assim, as foccacias e os paninis, saídos de um forno à lenha à vista no salão bem como polentas e carnes vermelhas ficaram para outra ocasião.
As entradas surpreenderam a mim, Romeu, pela delicadeza e frescor. Um carpaccio finíssimo de polvo alla marinara (R$ 30), bem temperado com vinagrete, veio escoltado por tomatinhos e pupunha na medida certa, e torradinhas crocantes. Julieta gostou do sabor potente das lulas em sua própria tinta, servidas no ponto correto e envoltas em salada de rúcula e alface (R$ 29). Na minha opinião, foram os dois melhores pratos do jantar.
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Linguado recheado de camarões ao molho de prosecco e legumes |
Embalados pelo clima animado, demoramo-nos a pedir os pratos, aproveitando para bebericar um Mantinia 2005 (R$ 75,50), vinho grego refrescante, descomplicado e de boa relação custo-benefício, escolhido por Julieta, que adora tais novidades. A carta de vinhos também a fascinou: extensa e bem-montada, com explicação sobre as regiões produtoras dos rótulos disponíveis, também organizados numa generosa adega ao fundo do salão.
Talvez a demora na escolha dos pratos principais, aliada ao calor crescente, tenha feito com que abreviássemos nossa visita, sem desfrutar das interessantes sobremesas, como a torta de pão-de-ló recheada com pistache e mascarpone (R$ 14). Situação essa que me levou a planejar uma nova visita à casa. Quanto à minha companheira, a decisão pareceu mais calculada. Sim, pois ela achou que estavam apenas corretos, mas não emocionantes, os camarões ao molho de tangerina e aspargos (R$ 68) e o linguado recheado de camarões ao molho de prosecco e legumes (R$ 49), os principais da noite. Mas, considerando as possibilidades da cozinha e o potencial da equipe – Jurandir Meirelles, chef-consultor, e José Meirelles, o chef, têm na veia o know -how Fasano –, não será nenhum desconforto climático e suas consequências que impedirão uma nova visita.
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Deque do restaurante, com vista para a agitada rua Haddock Lobo |
Zucco
rua Haddock Lobo, 1.416 – Jardins
(11) 3897-0666 – São Paulo São Paulo – SP
Segunda a quinta, das 12h à 0h30;
Sexta e sábado, das 12h à 01h30;
Domingos, das 12h à 0h. |
Nesta crítica de restaurante, Romeu e Julieta, um casal anônimo e especialista na arte de comer bem, avalia uma casa de destaque no cenário gastronômico brasileiro. Escolhemos um homem e uma mulher por acreditar que eles e elas costumam ter sensações diferentes à mesa.
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