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Cerveja de mosteiro Fundada em 1050, a alemã Weltenburger, a mais antiga cervejaria em um monastério, atualmente é um destino para quem quer apreciar a bebida em seu beer garden
por Márcio Kroehn, de Weltenburg (Alemanha)
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Ao lado, o mosteiro rodeado pelo rio Danúbio; acima, a sede da Weltenburger
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Uma pequena porção de areia na margem esquerda do rio Danúbio é a passagem para quem busca uma preciosidade alemã milenar. O longo muro que protege o interior está longe de ser uma fortificação. Ele mais parece a indicação do caminho a seguir até o portão de entrada. É nesse portal pouco chamativo que o desavisado pode se sentir como um invasor. Mas quem chega até ali está bem ciente do que irá encontrar, quase escondido entre as sólidas paredes do mosteiro beneditino. Nesse lugar tranquilo, a quase 90 quilômetros de Munique, que ganha os olhos pela beleza do entorno, está instalada a mais antiga cervejaria de um monastério. A Weltenburger traz o símbolo dos monges e a data de 1050 no rótulo.
Esse é o registro mais antigo de elaboração da bebida em solo germânico, embora o boca a boca vá mais distante ao dizer que a cerveja produzida pelos beneditinos é feita ali desde a chegada deles ao local, nos anos 600. A precisão de datas serve apenas como registro histórico e cria certa polêmica - a cervejaria Weihenstephaner, localizada em Freising, na mesma região, também reivindica para si a primazia na elaboração deste ouro amarelo.
Pioneirismo à parte, o mosteiro de Weltenburger está na Baviera, a mais tradicional região produtora de cerveja do planeta. E, pelas estradas locais, no caminho para chegar ao imponente monastério, a paisagem revela a grandeza e a importância da cerveja, a bebida que os alemães tratam com a mesma distinção que os franceses dão ao vinho (nas estatísticas, 90% da produção anual de 11 bilhões de litros de cervejas alemãs é destinada para o consumo interno). O cenário local é dominado pelas plantações de lúpulo, ingrediente responsável pelo amargor característico da bebida e por conferir aromas florais, herbais, cítricos, frutados e condimentados, conforme o estilo de cada cerveja. Além do lúpulo, o malte da cevada e a água são as únicas matérias-primas da cerveja, como define a Lei da Pureza, da Baviera.
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Confraternização de final de ano no pátio do mosteiro e ao lado plantações de lúpulo na Baviera
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Faz sentido cultivar em larga escala esta planta trepadeira, de delicada flor verde-clara em solo germânico. Nessa porção sul do país, estão localizadas 627 produtoras de cerveja, quase a metade das 1.302 existentes em solo alemão, de acordo com a Federação Alemã de Cervejarias (German Brewers Federation, na sigla em inglês). É a matéria-prima para os mais de cinco mil rótulos com o selo nas cores vermelha, preta e amarela. A milenar Weltenburger elabora sete destes rótulos, em estilos diferentes. Atualmente, apenas três de suas cervejas são fermentadas no mosteiro. As outras quatro nascem na fábrica na cidade vizinha de Regensburg.
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