Grãos sob pressão Máquina que acaba de chegar ao Brasil combina a qualidade de um espresso com a facilidade de um café filtrado
por Cristiana Couto foto Sheila Oliveira produção Melissa Thomé
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A máquina de café AeroPress, que acaba de chegar ao Brasil
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Depois da invenção das máquinas de espresso e das recentes e herméticas cápsulas de café, pode-se conjecturar se já não atingimos a perfeição na arte de extrair cafés. A resposta é negativa. Em 2005, o engenheiro mecânico e instrutor da Universidade de Stanford Alan Adler lançou no mercado uma máquina de café que combina as qualidades de um espresso com a facilidade de um café filtrado. O nome, Aerobie AeroPress, faz referência à empresa de brinquedos esportivos de Adler, a Aerobie, e seu produto mais conhecido, um frisbiee em formato de anel. O sucesso deste invento recreativo - que bateu o recorde mundial de distância e velocidade e atraiu fanáticos por esse esporte - parece se repetir com sua nova engenhoca destinada a extrair café, vendida aos milhares, em mais de 20 países.
Mundo afora, experts em cafés aprovaram a novidade, que acaba de chegar ao Brasil, com preço de R$ 180. Um deles é o especialista Kenneth Davids, editor do site Coffee Review e de livros sobre a bebida. "Ela produz um espresso melhor do que várias máquinas caseiras, que custam 20 vezes mais", avalia, em seu site. Dois anos de pesquisas e vários experimentos depois, Adler certificou-se de que alguns parâmetros eram as chaves para obter o melhor sabor do café. "Sabia que, ao diminuir o tempo de contato entre o pó e a água e produzir uma filtragem mais rápida, reduziria os níveis de amargor e de agressividade do café", explica o inventor, em entrevista à Menu, de Los Altos, Califórnia, onde mora.
Numa espécie de seringa gigante, o café é colocado em infusão por 10 segundos - tal como numa cafeteira francesa, mas diferentemente do café filtrado, isso permite um contato uniforme de todas as partículas do café moído com a água. Depois, o líquido é pressionado pelo êmbolo e o café é extraído através de um filtro de papel em sua base. "Ao contrário da água filtrada, a água pressurizada quebra moléculas de óleos essenciais e açúcares responsáveis por uma gama maior de aromas e sabores", explica a barista Isabela Raposeiras, colunista da Menu, que está importando o produto pela Academia de Barismo.
A combinação de filtragem rápida e pressão evita ainda a extração prolongada da cafeína, que traz o gosto amargo à bebida. Nos cafés filtrados, o contato do café com a água dura até 4 minutos (contra 30 segundos de extração de um espresso), o que pode resultar numa bebida mais amarga. Segundo Adler, testes de laboratório confirmaram o bom resultado obtido na xícara.
Com o café na xícara, descobre-se mais uma praticidade da máquina: sua limpeza é fácil, já que nenhuma partícula de pó de café permanece no interior da "seringa". "Passar" um bom café virou, agora, brincadeira de criança.
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