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O gosto pelo trash Vanessa Barone
Cachorro-quente da carrocinha, sutiã de camelô, blusa da feira hippie, quebraqueixo do vendedor ambulante. Por que será que certas coisas suspeitas – para não dizer reconhecidamente trash – são irresistíveis?
No terreno gastronômico, o menu-tranqueira é variado: o acarajé preparado numa esquina qualquer, por uma baiana simpática, sob o sol fervente de Salvador, continua atraindo turistas e gourmets. Pergunte aos frequentadores das boates moderninhas da rua Augusta, em São Paulo, se existe espetinho de carne mais saboroso do que o vendido na rua pelo “Ceará”. Eles vão dizer que não. Os biscoitos de polvilho onipresentes nas praias cariocas – quase sempre murchos e borrachudos – são tidos como uma das iguarias oferecidas pela Cidade Maravilhosa.
Por quê? Certamente porque alguém comeu e sentiu no gosto desses quitutes algo que vai além do sabor em si, que resume boas lembranças, aventuras, infância, férias e diversão. O problema é que comer coisas sem a garantia de higiene e de um bom preparo pode acarretar problemas sérios de saúde, como uma intoxicação alimentar que não vai deixar saudade.
O gosto pelo trash na moda tem razões menos abstratas e poéticas: geralmente tem a ver com economia, com oportunidade, com ser esperto e descolado. É por isso que ainda tem gente que se arrisca a comprar roupas mal costuradas, com tecido ruim ou de tamanho inapropriado ao manequim – apenas porque são baratas. Gente que não se incomoda em ter bolsas de grife falsificadas ou sapatos feitos com material de baixa qualidade. Tudo em nome de um pseudobom negócio que, na verdade, não traz nenhuma vantagem além da imediata. Artigos de má qualidade custam menos porque duram muito menos – e logo começam a comprometer o visual. E isso não tem nada de esperto.
Vanessa Barone é jornalista especializada em moda. vanessa.colab@revistamenu.com.br |