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Home: Revista: Romeu e Julieta Maio/2009

Roux
Na onda dos bistrôs, nova casa paulistana comete alguns deslizes, mas vale pelas massas e pelos vinhos de boa relação custo-benefício

por Cristiana Couto fotos Rogério Voltan

O segundo salão, mais íntimo, e o chef Arthur Sauer (na página ao lado)

Romeu e eu pegamos carona na tendência dos bistrôs e decidimos visitar um dos mais recentes, o Roux, aberto em janeiro em São Paulo. O perfil do chef também influenciou na escolha: Arthur Sauer passou por cozinhas importantes na Europa, como a triestrelada Enoteca Pinchiorri, na Itália; e, de volta ao Brasil, trabalhou nos consagrados Parigi, La Tambouille e Cantaloup, em São Paulo, e no carioca Fasano al Mare.

Assim, era relativamente alta a nossa expectativa diante daquilo que iríamos comer. Pareceu-me também que Romeu estendeu sua (alta) exigência ao ambiente. "Faltou charme", sentenciou ele. Não para mim: exceto pelo salão que escolhemos, mais íntimo, embora menos charmoso e um pouco apertado, a casa tem um clima agradável e aconchegante, discretamente alegre nos detalhes, com pé-direito alto no salão principal, que agrega também um bar e um mezanino.

Mas se discordamos do clima da casa, nossa impressão foi semelhante quanto ao cardápio. Menu e carta de vinhos são adequados à proposta de um bistrô: concisos, têm preços atraentes (no dia da visita nenhum prato custava mais de R$ 38) e exploram várias vertentes. No cardápio, massas, risotos, peixes e carnes; na carta, vinhos de diversos países, com explicações simpáticas sobre cada rótulo. Os pratos, porém, não seguem a linha clássica francesa desses estabelecimentos, alinhando-se a opções de acento italiano.

Mas se a atmosfera prometia uma boa experiência, alguns deslizes apareceram ao longo da noite. A começar pela bruschetta com tomates picados, alho e alcaparras (R$ 16,50), que dividimos como entrada. O garçom, notou Romeu, poderia ter avisado de que se tratava de uma só fatia. Além disso, as alcaparras salgaram demais um pão que pecava pela qualidade. Um gostoso Chardonnay Pulenta (R$ 82), servido adequadamente, amenizou a decepção. Também desapontou um pouco o ponto do polvo à provençal (cozido na pressão com tomates, alho e salsinha no azeite, R$ 32), que é grelhado depois de cozido na pressão. "Perdeu um pouco do frescor", resumiu meu companheiro, que adorou sua apresentação.

Dei mais sorte ao pedir uma das especialidades do cardápio, os picci, uma massa rústica semelhante ao espaguete, feita no restaurante, assim como o restante das massas. Delicada e numa porção para lá de generosa, foi servida com um aromático molho de limão, que lhe conferiu uma acidez atraente. Merecia, apenas, camarões graúdos (e não miúdos) para adorná-la (R$ 38). Deliciosos também os raviólis recheados com gorgonzola e avelãs (R$ 29), bem amparados por uma cama de rúcula, num bom contraste de sabores. Erramos, entretanto, na sobremesa, um crumble com creme confeiteiro e sorvete de chocolate (R$ 15), que não deixou lembranças do restaurante que, pelo preço e esforço nas massas, é uma boa opção de almoço na região.

Nesta crítica de restaurante, Romeu e Julieta, um casal anônimo e especialista na arte de comer bem, avalia uma casa de destaque no cenário gastronômico brasileiro. Escolhemos um homem e uma mulher por acreditar que eles e elas costumam ter sensações diferentes à mesa.



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