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Home: Revista: Reportagens Maio/2009

Novas importadoras
Pelo menos quatro novas empresas começam a trazer brancos, tintos e espumantes para o Brasil

Suzana Barelli

Na frente do mapa-múndi, o Brasil desperta a atenção dos produtores de vinho. Ao destacar o espaço que o País ocupa no globo, eles logo fazem a seguinte conta: são mais de 190 milhões de habitantes e um consumo de brancos, tintos e espumantes inferior a dois litros por habitante a cada ano. Pronto, o Brasil logo se torna um mercado potencial. É esta equação que atrai produtores para cá e leva empresários a investir em novas importadoras, mesmo agora em época de crise e quando o ritmo de crescimento deste mercado começou a diminuir – em 2008, o aumento do consumo de vinhos importados foi inferior a 6%, contra mais de 20% de anos anteriores. Neste cenário, várias novas importadoras estão começando a funcionar, cada uma apostando em nichos específicos. São elas:

fotos: divulgação

Wine Society

Anunciada com estardalhaço no ano passado, a Wine Society começa a comercializar os seus vinhos agora no Brasil. A empresa aposta nos vinhos finos vendidos em embalagens bag-inbox, que permitem armazenar a bebida na geladeira. O Banrock Station bag-in-box (foto) custa R$ 85, a embalagem de dois litros. A ideia dos sócios – a empresa é formada pelo australiano Ken Marshall, sócio da importadora KMM, e por um grupo de 20 investidores – é apostar na comparação do mesmo vinho na garrafa de vidro e na bag-in-box para mostrar sua qualidade. A Wine Society está trazendo mais de 70 rótulos de 11 vinícolas australianas, todas da Constellation Wines, a maior empresa de vinhos do mundo. (Wine Society, tel. 11/2539-2920).


BevBrands

A empresa pertence à holding A&M Corp. e tem como foco principal a importação de vinhos americanos para o Brasil – há também chilenos, como a vinícola Undurraga. No início, são rótulos de 70 vinícolas (a meta é chegar a 150 até o final do ano) localizadas em vários Estados dos EUA. Os tintos elaborados com a uva Zinfandel, bem popular no país, são uma das apostas, assim como os rótulos da gigante Kendall Jackson, já importados para o Brasil no passado. A ideia, diz seu presidente, Luiz Eduardo de Carvalho, é mostrar que o país elabora vinhos para todos os gostos e bolsos. Exemplos não faltam, como o Zinfandel Dog House 2004 (R$ 58), o La Crema Pinot Noir 2005 (R$ 133, foto) ou o Cardinale 2004 (R$ 1.038). (BevBrands, tel. 21/2424-1624).

 

Winebrands

A empresa nasce da associação de Ricardo Carmignani e Tibor Sotkovski, dois exexecutivos da Expand (uma das mais antigas importadoras brasileiras), com a portuguesa Global Wine. No portfolio, o primeiro grande destaque são os vinhos da italiana Antinori, como o Villa Antinori (foto), que custa R$ 88. Há ainda os rótulos Rio Sol, elaborados no Vale do São Francisco, e todos da portuguesa Dão Sul, como a Quinta das Tecedeiras e a Quinta do Encontro. O foco da importadora é ter apenas um grande produtor por região produtora de vinho.

(Winebrands, tel 11/3016-3465).

 

La Cave Jado

As amigas francesas Jeanne Bourguignon e Dorothée Souchard decidiram trazer para o Brasil os vinhos que elas gostam de beber em seu país natal. Em seu primeiro catálogo, são 15 pequenos produtores, alguns seguidores da cultura orgânica ou biodinâmica. A maioria dos rótulos, posicionados como garrafas de bom custo-benefício, é destinada para acompanhar refeições. São vinhos redondos, gostosos e, em geral, pouco encorpados, como o Cuvée Saint Qvinis Tinto 2004, um corte de Syrah e Grenache, por R$ 50. (La Cave Jado, tel. 11/2478-2001).

Na prateleira

Franchetti IGT 2006

O enólogo italiano Andrea Franchetti é mais conhecido pelos seus vinhos toscanos da Tenuta di Trinoro, como o encorpado e caro Tenuta di Trinoro IGT 2006 (US$ 539). Mas Franchetti também surpreende na Sicília, onde começou a plantar vinhas porque se apaixonou pela paisagem da ilha. Seu vinhedo está aos pés do Etna, a 1.000 metros de altura. São dois vinhos: o Passopisciaro IGT 2005 (US$ 132), elaborado com a nativa uva Nerello Mascalese, e o encantador Franchetti IGT 2006 (US$ 349, foto), feito majoritariamente com Petit Verdot, importados pela Mistral (11/3372-3400).

Tomero Petit Verdot Reserva 2006

Com passagens pela Trapiche e pela Salentein (aqui, ele elaborou as primeiras safras da vinícola), Carlos Pulenta é um dos bons enólogos argentinos. Agora, com sua própria vinícola, ele mostra o potencial da cepa Petit Verdot neste tinto varietal bem elegante, com boa fruta, madeira discreta, tipicidade e preço de R$ 120 (foto). Seus vinhos – os mais badalados são o Vistalba Corte B e Corte A – agora são importados pela Domno (54/3462-3965).

Juan Carrau Sauvignon Blanc Cepas Nobles 2007

A vinícola Carrau elabora vinhos no Uruguai desde a década de 1930. Sua especialidade são os tintos com a uva Tannat, de boa adaptação no país. Mas a vinícola mostra em cada gole deste Sauvignon Blanc que também sabe elaborar brancos de bom custo-benefício. Frutado, com notas cítricas e tropicais, tem boa acidez e custa R$ 33, na Zahil (11/ 3071-2900).



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