Pizza
Redondas com história A pizzaria e cantina paulistana Castelões completa 85 anos no Brás, fazendo pizzas tradicionais em um ambiente que relembra os velhos tempos
por Cristiana Couto
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Pizza Castelões e Marguerita (confira a receita na página 81)
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| Acima, o ambiente, a fachada e detalhes do restaurante, como as massas artesanais produzidas diariamente. No destaque, João Donato e o filho, Fábio |
Numa cidade em que os restaurantes raramente atingem uma década, uma pizzaria sobreviver por 85 anos ininterruptos num bairro completamente fora do circuito gastronômico é, no mínimo, um feito. E, se ela ainda pulsa e serve boa comida, é uma razão digna de celebração. Nascida em uma data imprecisa em 1924, no bairro paulistano do Brás, a Castelões nem sequer tinha nome, mas já conquistara clientes fiéis. Era o time de futebol de várzea que daria seu nome à casa, uma típica alimentari italiana, em que porções de azeitonas, embutidos e provolone seriam, posteriormente, acompanhadas de pizzas e massas, pelas quais é hoje conhecida.
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Ravióli de ricota (à esq.) e fusilli de calabresa, dois sucessos da Castelões
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A alimentari do napolitano Ettori Siniscalchi nasceu num contexto bem diferente daquele em que sobrevive a Castelões atual, comandada pela família Donato desde 1950. "Era uma rua de bom comércio e residências", lembra João Donato, 75 anos, que trabalhou na casa desde que o pai, o ex-garçom Vicente Donato, adquiriu o negócio de Siniscalchi. Seu endereço, na pequena rua Jairo Góis, entre as movimentadas rua do Gasômetro e avenida Rangel Pestana, é um pálido retrato da época. "Lembro-me de que havia um joalheiro, uma loja de armas, outra de gravuras em bronze e o belo palacete Andreoli", recorda-se Donato.
Hoje, é difícil acreditar que um restaurante com tanta memória da cidade e de seus habitantes resista entre casas de maquinários industriais e lojas de atacado. Mas a Castelões permanece ali, com o mesmo balcão de mármore de Carrara que selou sua fundação, as fotos do time da várzea e de personalidades que ali passaram, como o expresidente Jânio Quadros e o tenor Beniamino Gigli, as garrafas de Chianti embaladas em palha e penduradas no teto e o mesmo cuidado com os ingredientes e o respeito à tradição que são a razão de sua longeva existência. E, agora, com a promessa de uma futura filial no badalado bairro dos Jardins (a casa já teve uma, em 2003, no Itaim Bibi).
O orgulho da família, e o maior deleite dos fregueses, concentra-se nas pizzas. Há 70 anos, seu forno só esfria durante o recesso do fim de ano. "Ele alcança 650ºC, temperatura que nenhum forno na cidade consegue bater", provoca Donato. Dele, saem as clássicas calabresa, mussarela, aliche e alho e óleo, as únicas a vigorar no cardápio até a década de 1970. "Fomos os primeiros a vender pizza na cidade", garante Donato, disputando com sua concorrente, a septuagenária Pizzaria Bruno, a origem das redondas em São Paulo. Pioneiros ou não, o fato é que foram os discos de massa média e bordas altas, com recheios artesanais (adquiridos até hoje dos mesmos fornecedores) e molho fresco de tomates, que originaram a ampliação da casa antes de ser adquirida pelos Donato.
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