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Home: Revista: Reportagens Agosto/2009

Orgânicos
Para uma alimentação de verdade

Beatriz Marques

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Na quinta edição da Bio Brasil Fair, feira internacional de produtos orgânicos e agroecologia, que acontece entre 23 e 26 de julho, na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo. Informações pelo site www.biobrazilfair.com.br

No cinema, o ciclo da comida

O que sabemos sobre a comida que compramos em supermercados e servimos às nossas famílias? Esta é a questão que motivou o documentário Food, Inc., lançado em junho nos cinemas norte-americanos. O filme do produtor e diretor Robert Kenner tenta responder à indagação ao mostrar a ação de empresas ligadas ao setor alimentício e entrevistar fazendeiros e experts no assunto, como Michael Pollan, autor do livro The Omnivore’s Dilemma e In Defense of Food. No roteiro, ele traça o caminho que tem resultado em problemas de saúde, como obesidade e diabetes, à população norte-americana. Para assistir ao trailler, acesse www.foodincmovie.com

Fotos Photo courtesy of Magnolia Pictures

 

Foto Divulgação

Lições italianas

A Itália é o maior exportador mundial de alimentos orgânicos e o quinto maior produtor, em uma área plantada que ocupa 9% de seu território. São números de fazer inveja a qualquer seguidor deste plantio sem agrotóxicos. E vale a pena saber como o país chegou a este pódio. Quem dá as dicas é o italiano Natale Marcomini, conselheiro da FederBio, federação italiana de associações de agricultura biológica e biodinâmica, que ministrou workshops sobre o tema durante a Fispal Food Service, no final de junho em São Paulo.

Um dos marcos deste crescimento são as merendas escolares. Em regulamento lançado em 2002, seis regiões do centro-norte italiano adotaram a alimentação orgânica nos lanches escolares. Crianças entre 0 e 3 anos precisam ter merenda 100% orgânica, e entre 3 e 13 anos, em 70% da alimentação. O resultado é que, dos 5 milhões de merendas por dia, 1 milhão é preparada com alimentos orgânicos. “As crianças, desde cedo, precisam ter contato com esse tipo de comida”, explica Marcomini.

Outro tópico é a comunicação. Campanhas sobre o benefício à saúde, por exemplo, foram determinantes para a conscientização do italiano. “Grande parte do consumidor brasileiro ainda não sabe o que é um orgânico”, diz. E, assim, não o valoriza.
E, finalmente, a comercialização. “Um orgânico não pode custar três vezes mais do que o convencional”, alerta Marcomini. Nos mercados italianos uma massa orgânica tem preço 10% maior do que a tradicional. A solução, para ele, está no fim de atravessadores entre produtor e consumidor, que encarecem o custo, e na escolha certa do terroir para a plantação. “Antigamente era comum plantar azeitonas próximas ao mar, mas a quantidade de insetos que o clima úmido atraía só encarecia sua produção. Agora as plantações se concentram em regiões mais secas”, exemplifica.

Marcomini diz que alguns produtores brasileiros já sabem tirar mais proveito do terroir. “Conheci uma plantação de manga em Petrolina (PE) que consegue vender a fruta somente 5% mais cara do que a convencional”, conta. É um pequeno passo de um longo caminho que o Brasil tem a trilhar.

 



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