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Home: Revista: Reportagens Agosto/2009

Perfil
O terceiro com gosto de primeiro
A trajetória de Guilherme Corrêa, que vai representar o Brasil no concurso de Melhor Sommelier do Mundo em 2010

por Suzana Barelli

Foto Divulgação
Guilherme Corrêa

A carreira do sommelier Guilherme Corrêa, 38 anos, é marcada pelo pioneirismo. No final dos anos 1990, ele foi o primeiro brasileiro a se formar em uma instituição estrangeira, a Associazione Italiana Sommeliers. Agora, depois de conquistar o bicampeonato como melhor sommelier nacional, ele se tornou o primeiro brasileiro a subir no pódio de um campeonato internacional em sua área. Em maio, ele obteve o terceiro lugar no concurso Mejor Sommelier de las Américas, realizado em Buenos Aires, Argentina. Como os dois primeiros lugares foram ocupados por profissionais do Canadá, as sommelières Élyse Lambert e Véronique Rivest, Corrêa pode ser apontado, indiretamente, como o melhor sommelier da América Latina. "Não esperava uma colocação de tanto destaque", afirma, modesto.

No concurso, um de seus méritos foi ter vencido o norte-americano Fernando Beteta, o grande favorito, que ficou em quarto lugar. E também ter conseguido identificar um Viognier argentino, servido em uma taça preta, o que impede descobrir até a cor do vinho, e sua safra. Foi sua segunda participação em uma competição internacional - em 2007, ele representou o Brasil no 12o Concurso Mundial de Sommeliers, realizado na Grécia, mas não se classificou entre os finalistas. "Estas duas experiências internacionais me ajudaram muito e dão bagagem para me preparar para o próximo mundial", diz Corrêa. O evento, para o qual ele carimbou o seu passaporte ao vencer o campeonato brasileiro em março deste ano, será em 2010 no Chile.

Para a competição, o sommelier estuda diariamente das 6h30 às 8 horas, antes de ir para o seu trabalho na importadora Decanter. E também em suas viagens pelo Brasil - a Decanter tem sede em Blumenau (SC), mas Corrêa coordena o programa wine education nas filiais da Enoteca Decanter pelo País. No mundial, ele sabe que será cobrado por um serviço do vinho perfeito, incluindo degustação e harmonização, mas também por seu conhecimento em bebidas como destilados, chás e cafés, e não só sobre o vinho. Na prova na Argentina, por exemplo, ele teve de reconhecer uma aquavita sueca, uma tequila e um añejo.

Com o sucesso, Corrêa, que começou a trabalhar como sommelier no restaurante Vecchio Sogno, de Belo Horizonte, em 1995, diz que é procurado por muitos que querem seguir a carreira. Aqui, seu conselho é gostar de vinho e provar todos os rótulos que puder, sem preconceitos. "Sou um experimentador, um apaixonado pelo vinho em todas as suas tipologias", define-se. Mas sua preferência são os chamados vinhos gastronômicos (a harmonização com comida é uma das suas especialidades, influência da formação italiana). São eles: os bons Riesling, tanto da Alsácia como da Alemanha, e os tintos elaborados com a uva Pinot Noir e Nebbiolo, no Velho Mundo.



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