Kaá Com um jardim com mais de sete mil plantas da Mata Atlântica, este charmoso restaurante paulistano reúne o talento dos chefs Paulo Barros e Pascal Valero, mas derrapa no serviço
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Vista do ambiente; na página ao lado, a codorna; e os chefs Pascal Valero (à dir.) e Paulo Barros
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As temperaturas de inverno esfriaram São Paulo na semana em que Romeu e eu, Julieta, decidimos conhecer o Kaá, o badalado restaurante de cozinha franco-italiana, inaugurado no final de 2008. O que nos motivou a conhecer o local foi o lançamento do primeiro menu assinado por Pascal Valero, chef com passagens pelo Le Coq Hardy e Eau que assumiu a cozinha da casa.
E o Kaá realmente surpreende na primeira visita. Seu longo salão, com pé-direito alto, espelho d'água e um jardim vertical com mais de sete mil plantas da Mata Atlântica, é um refresco para quem acabou de sofrer com o trânsito paulistano. Tanto que não me incomodei com o atraso de Romeu e aproveitei para aguardá-lo nos confortáveis sofás, degustando um vinho tinto.
Escolhi o Filipa Pato Ensaios 2005, que custa R$ 74 na carta (na importadora, a garrafa é vendida por R$ 42). Romeu logo chegou, mostrando que o frio não intimidou seu paladar. Pediu o refrescante tartare de atum com guacamole e redução de beterraba (R$ 28) e se surpreendeu, positivamente, a cada garfada. O frescor do peixe harmonizou com a cremosidade do abacate e o doce do legume. Eu preferi o tradicional - e quentinho - nhoque ao sugo com pecorino trufado (R$ 39), prato principal que pedi como entrada.
De molho vigoroso e queijo perfumado, o prato reafirmou o talento do chef Paulo Barros quando o assunto é massa. Barros, do restaurante Due Cuochi Cucina, é um dos três sócios da casa, junto com Daniel Sahagoff, do Cantaloup, e Paulo Kress, do General Prime Burger. Nos pratos principais, migrei para a parte francesa do cardápio, o forte de Valero.
As codornas recheadas e assadas, com coulis de maçã com açafrão e morcilla (R$ 53), chegaram úmidas e saborosas, enriquecidas pela acidez e doçura da fruta e temperadas com o creme da linguiça. A única - e grave - falha veio do serviço. O cuscuz marroquino com legumes e passas que acompanhava o prato chegou seis minutos (contados) depois.
Menos empolgação mostrou Romeu com a paleta de cordeiro ao molho do assado com purê de mandioquinha (R$ 54). A carne estava úmida, no ponto, e o purê, correto. Para ele, era um prato sem as surpresas de sabor que tanto procura. Na sobremesa, aceitamos a sugestão do maître e pedimos o mil-folhas com zabaione de marsala e doce de leite (R$ 15), agradável para fechar a refeição.
Pena que o gostinho amargo voltou com mais um erro: cobranças indevidas na conta. Mesmo com as falhas, Romeu voltaria ao Kaá para se surpreender com as massas de Barros. E eu, com a precisão e técnica de Valero, que deram maior credibilidade ao restaurante.
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