Entrevista
Puro uísque Uma conversa com o irreverente Jim Murray, o "papa" desta bebida, que tem um nariz segurado em US$ 1 milhão
por Beatriz Marques
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| Jim Murray, que provou mais de 3.500 uísques para escrever o seu guia; detalhe de destilaria escocesa, e a degustação de um scotch |
Quanto vale um nariz? O do inglês Jim Murray está segurado em US$ 1 milhão. E, logo no primeiro contato, se entende a sensibilidade que fez dele o seu instrumento de trabalho. Ao receber a Menu para esta entrevista, Murray pediu que as janelas do lobby do hotel Fasano fossem abertas para dissipar a fumaça que vinha de outras mesas. "O cigarro atrapalha meu olfato", justifica o autor do guia Jim Murray's Whisky Bible, em recente visita ao Brasil. Para a sua apresentação por aqui, a convite da Ballantine's, foram vetados o cigarro e o uso de perfumes. Não é para menos: o crítico já provou mais de 15 mil uísques, em visitas a mais de 190 destilarias em 35 países, e sabe que, nestas degustações, o seu nariz é sua ferramenta de trabalho.
Como o sr. entrou no mundo do uísque?
Sou jornalista e sempre apreciei uísque. Aos 17 anos, em 1975, visitei minha primeira destilaria na Escócia. Mas foi somente em 1992 que resolvi me dedicar à bebida. Era muito difícil encontrar quem escrevesse sobre o assunto, todos eram interessados em vinhos. Hoje não faltam publicações sobre o uísque. As editoras fazem de tudo para vender e ganhar dinheiro com o tema, sem ligar muito para a qualidade.
Como se degusta corretamente?
Para a degustação, o uísque deve ser sem gelo e sem água, pois eles matam a bebida. Deguste com um copo de água ao lado e antes tome um espresso para limpar as papilas gustativas. Sirva em uma taça pequena e "lave" antes a boca com um pouco do uísque e cuspa. Então deguste inserindo ar para liberar os aromas. E não engula, para não ficar bêbado.
Um uísque muda com o tempo?
Eu costumo guardar um uísque e prová-lo cinco anos depois. Em condições de guarda ideais, a bebida não muda. Mas há muitas diferenças dentro de uma mesma marca. Um uísque elaborado há dez anos é totalmente diferente do atual. As marcas mudam de donos e acabam comprando maltes de outras destilarias para fazer o blend. E, ao longo dos anos, muitas destilarias fecham e precisam ser substituídas. Assim, o blend final é totalmente outro. Um exemplo é o próprio Ballantine's Finest, que este ano elegi como o melhor scotch standard blended whisky, algo que não aconteceu em 2008, pois não era o mesmo.
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