Em busca do prato perfeito Montpellier, a principal cidade de Languedoc-Roussillon, lança concurso para descobrir uma receita que lhe dê identidade e já batizada de La Clapassade
por Jorge Felix, de Montpellier, França
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| Vista do Château de Quéribus, uma das regiões ocupadas pelos cátaros no passado, e que hoje marcam a paisagem de Languedoc-Roussillon |
Quando o viajante chega à região de Languedoc- Roussillon, no sul da França, recebe logo de presente a paisagem dos Pirineus orientais, parte da diversidade do relevo que avança até as colinas acidentadas das Corbières. De Perpignan a Nîmes, pela autoestrada número 9, a viagem segue iluminada pela luz do sol do Mediterrâneo - onde é quase impossível deixar de molhar, pelo menos, os pés e as mãos naquele mar azul. À medida que o turista vai invadindo aquelas terras para o norte, na direção do chamado "País Cátaro", os aromas de especiarias vão dominando o ar. Em Montpellier, a capital da região, o passeio pelas ruas pode se dar ao som de violinos, que foge das várias oficinas da cidade escondidas em pequenas construções medievais.
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| Com o poético nome de "declinação de atum", uma das receitas do Jardin des Sens, restaurante em Montpellier |
Nem o mais exigente dos turistas poderia reclamar desta benéfica sinestesia - a mistura dos sentidos é perfeita na região. Mas, por incrível que pareça, os franceses do sul ainda estão insatisfeitos. E a insatisfação - pasme! - é justamente com aquele que é tido como o sentido mais bem atendido em todo o país: o paladar. Estranho. O sul da França é, embora muitos desconheçam, privilegiado em sabores. As frutas, sobretudo morango e melão, o presunto e os frutos do mar, quase sempre salpicados de flor de sal, a especiaria nativa, compõem uma diversidade de notas perfeitas e dão vida a inumeráveis pratos.
A lista é mesmo farta: aligot, tripoux de Lozère, cassoulet de Castelnaudary, gardiane de taureau de Camargue, brandade de Nîmes, rouille et tielle de Sète, crème catalane, "brasucade", "cargolade", "bullinade", petits pâtés de Pézénas, tapenade. Ou qualquer coisa que o queijo de cabra pélardon possa bem acompanhar. "Se este que é o principal da região não for do agrado, a França tem mais de quatro mil queijos catalogados. E para cada um catalogado, temos dez sem a apelação de origem controlada", diz Jean Puig, dono da loja que há três gerações da família leva o seu nome. Ele lembra, ainda, que só no Languedoc-Roussilon o francês pode passar um ano comendo queijo todo dia sem repetir um só tipo.
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