Por aí
Terra de vinhos Bordeaux vive ao redor dos brancos e tintos, como comprova a 15ª edição da Vinexpo, a maior e mais badalada feira desta bebida no mundo
por Michele Montanha, de Bordeaux
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A Ponte Pierre, sobre o rio Garonne, que banha a cidade de Bordeaux
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Bordeaux é sinônimo de (bons) vinhos franceses. Não apenas a cidade, considerada patrimônio histórico da humanidade pela Unesco, como toda a região da Aquitania, onde está localizada, vivem em torno da bebida. Em construções do século 18, museus, palácios e monumentos retratam a história intelectual, cultural e política de Bordeaux, que cresceu às margens do rio Garonne. Ao lado destas construções em estilo clássico e neoclássico, toques de modernidade, como o espelho d'água em frente à Place de la Bourse, revelam que a morada dos grandes tintos franceses e de seus vinhos de sobremesa não está parada nas glórias de seus ancestrais.
E são os vinhedos, estendidos ao longo dos rios Garonne e Dordogne, que deságuam no Gironde em direção ao Oceano Atlântico, que escrevem não só o passado como o futuro desta que é a segunda maior região produtora de vinhos da França. Com 115 mil hectares de vinhas, Bordeaux só perde a liderança para o Languedoc-Roussillon. Detalhe: em volume. Em vinhos finos, ela é o orgulho do país e a única a ter cinco vinhos premier grand cru classé desde 1855, os châteaux Latour, Lafite-Rothschild, Margaux, Haut-Brion e MoutonRothschild (este entrou no seleto clube em 1973).
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Acima, o espelho d´água em frente à Place de la Bourse; na pág. ao lado, escultura nos vinhedos do Château Smith Haut Lafitte, igreja e vinhedos em Margaux. Abaixo, visitante prova vinho na Vinexpo |
Não é à toa que a cidade empresta seus encantos à maior feira de vinhos do mundo, a Vinexpo. Na 15ª edição do evento, no final de junho, milhares de garrafas foram degustadas pelos seus 46.621 visitantes, 34% deles não franceses, vindos de 135 países. "A Vinexpo é a vitrine ideal para todos os vinhos, especialmente para os de Bordeaux", afirma Jacques Boissenot, um dos mais renomados enólogos bordaleses, que dá consultoria para quase 50 vinícolas.
Em seus pavilhões, 2.400 expositores de 48 países - inclusive do Brasil, que estreou no salão neste ano - mostravam aos presentes suas mais recentes safras e esperavam, apreensivos, para ouvir a opinião dos visitantes. "A Vinexpo é uma vitrine importante para mostrarmos o nosso trabalho", afirma o português Messias Vigário, da Cave Messias. Neste ano, ele apresentou o frutado e elegante Messias Douro Tinto 2008, que deve chegar ao mercado brasileiro em setembro.
Outros produtores serviam alguns goles de tintos (e alguns brancos) que ainda envelhecem em barricas e foram engarrafados especialmente para o evento. A ideia é testar a aceitação destes rótulos entre os especialistas presentes. E muitos ainda aproveitavam a Vinexpo para fechar negócios e conseguir vender suas garrafas para novos países.
Nas salas de degustação, 70 provas temáticas, organizadas por região, como a francesa Alsácia ou a espanhola Rioja, atraíram os amantes da bebida. Nas conferências, que contaram com mais de dez mil profissionais nos cinco dias do evento, os temas mais procurados foram a exportação de marcas e o turismo vinícola, num indicativo da tendência deste mercado nos próximos anos.
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