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Home: Revista: Baixa Gastronomia Agosto/2009

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Gastro.net
Como as ferramentas virtuais, como o twitter e o facebook, movimentam a gastronomia na internet

por Beatriz Marques

ilustrações Shutterstock

Feliz é aquele que vai à padaria e consegue comprar o pãozinho francês que acabou de sair do forno. O que era uma questão de sorte, hoje pode ser resolvido com um simples acesso ao twitter, uma ferramenta de microblog com mensagens com até 140 caracteres que virou febre na internet. A padaria e empório carioca Farinha Pura (@farinhapura) avisa seus seguidores quando uma fornada fica pronta. E lança diariamente, pelo twitter, uma senha que dá 5% de desconto para quem revelá-la no caixa. "Buscávamos uma mídia espontânea, e hoje temos mais de 600 seguidores", diz Tiago Pitta, gerente de marketing da casa.

O twitter virou uma ótima ferramenta de divulgação de produtos, da qual o mundo da gastronomia está sabendo tirar proveito e se aproximar de clientes potenciais. É o que pode ser visto na padaria paulistana Armazém dos Pães (@armazemdospaes). Seu twitter anuncia quais os quitutes que estão chegando ao balcão, com fotos tiradas na hora pelo celular.

E o sucesso dos twitts, como são chamadas estas pequenas notas, abriu portas para a padaria no mundo virtual. "Agora estamos apostando no e-commerce que desenvolvemos para encomendas", diz Armando Paiva Jr., um dos responsáveis pelas ações online da padaria do pai, no bairro do Alto da Lapa.

O twitter parece não estar sozinho quando se fala em divulgação pela rede mundial de computadores. O facebook, site de relacionamento social, mostra sua força como uma ferramenta de fidelização de clientes. A Starbucks, por exemplo, promoveu seu novo sorvete, lançado nos Estados Unidos, com um aplicativo que permitia aos usuários enviar um vale-sorvete gratuito a amigos de seu facebook. A ação, em julho, forneceu 280 mil copos da guloseima durante 13 dias.

Estas ferramentas virtuais também aproximam internautas e profissionais da cozinha. Quem segue o inglês Jamie Oliver (@jamie_oliver) no twitter soube, em primeira mão, do nascimento de sua filha. E recebe notas cada vez que uma nova receita do chef é publicada em seu site. Ruth Reichl (@ruthreichl), editora da revista Gourmet, e Grant Achatz (@Gachatz), chef do Alinea, em Chicago, são outras estrelas internacionais da cozinha que, com as atualizações constantes de seu twitter, acumulam seguidores de diferentes partes do mundo.

Muitos chefs paulistanos se encontram no twitter, e quem os segue acompanha as suas conversas online. "Alguma dica de azeite extravirgem bom para o restaurante? Queremos mudar de marca, muito amargo o nosso", dispara o twitter do restaurante Sal Gastronomia (@salgastronomia). Poucos minutos depois, já era possível ler a resposta do chef Benny Novak (@BennyNovak), do Ici Bistro e Tappo Trattoria, com sua sugestão de azeite. Há cinco meses adepto da ferramenta, Novak compensa a "falta de tempo para encontros sociais" com as mensagens no twitter. "Faço comentários sobre o que vejo, leio, como, bebo e ouço, e acompanho o que as pessoas escrevem.

Sempre aparecem boas dicas", diz o chef. Um dos companheiros de profissão que segue e com quem conversa online é Julio Bernardo (@botecodojb), do restaurante Sinhá. Ele aproveita o twitter para comunicar as novas atualizações em seu blog (chefjulinho.blogspot. com), que chega a ter dez mil acessos por mês e 25 comentários por nota publicada. "Muitos eu não publico porque são agressões", explica o chef, que ganhou adoradores e inimigos desde que começou a opinar sobre restaurantes que visita.

Raphael Despirite (@rdespirite e cozinhabio.blogspot.com), do restaurante Marcel, aproveita o espaço para falar de produtos que usa e de seus fornecedores. "Muitos produtores me ligam agradecendo, falando de novos clientes que acessaram meu blog", conta Despirite, que chega a ter 400 acessos em cada post, como são chamadas as notas no blog. Flávio Federico, da Sódoces, usa seu blog (flaviofederico.blogspot.com) não só para divulgar cursos e atividades em sua doceria como para expressar sua paixão pelo Brasil e os ingredientes que tem a oferecer - muitos deles presentes em suas criações.

E não são apenas os chefs de São Paulo. Roberta Sudbrack, do restaurante homônimo no Rio de Janeiro, por sua vez, aderiu ao twitter (@chefsud) e ao faceboook para que as centenas de leitores do seu blog (robertasudbrack.com.br/blog) não se sentissem órfãs durante a migração de endereço, que o deixou fora do ar por poucos dias. Uma das páginas pessoais mais acessadas quando hospedada no portal Globo.com, Roberta se envolveu com o blog e responde a cada comentário de internauta e mostra receitas, como a publicada nesta reportagem. "O blog é uma forma muito sensível de se aproximar das pessoas", aponta a chef, contrariando a frieza que muitos associam à internet.

Essa interatividade atraiu cada vez mais fãs, que formaram um grupo dentro do próprio blog, a Confraria Viva. "Somos internautas do mundo inteiro que admiram o trabalho e a vida da 'chefíssima'", conta Eliane André, artesã paulistana e uma das 30 confrades, que se reúnem pelo menos uma vez por ano "na casinha laranja à beira do canal", descrição simpática do restaurante de Roberta. E quem comenta no blog não pode mais sair do grupo de seguidores. "Senão a receita desanda", brinca Eliane, que ciceroneia a chef quando está em São Paulo. "Tive confrade que me ajudou na cozinha durante um evento", lembra Roberta. É o mundo virtual também ajudando o chef na cozinha real.

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