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Home: Revista: Romeu e Julieta Setembro/2009

O bistrô Le Marais
Nova casa do chef Paulo Barros traz sofisticação ao cardápio francês com pratos bem executados

Acima Ida Frank e o chef Wagner Resende e o salão do restaurante; abaixo, a terrine de alho-poró com vinagrete de laranja
fotos divulgação

A enorme fila na porta é uma das marcas do restaurante italiano Due Cuochi Cucina, em São Paulo. Por isso, eu, Julieta, não me assustei com o pequeno congestionamento de carros em frente ao Le Marais, a nova empreitada dos sócios do Due Cuochi, Paulo Barros e Ida Maria Frank, mesmo numa tranquila noite de quarta-feira.

A casa estava cheia. Mas, eu havia feito reserva e esperei Romeu acomodada, confortavelmente, numa das mesas apertadas do salão. Aproveitei para estudar o cardápio francês - o Le Marais traz a proposta de um bistrô, antigo sonho de Ida, ela também uma chef de formação francesa. A cozinha é comandada por Wagner Resende, que ganhou fama como subchef no La Brasserie.

E a decoração reproduz a atmosfera parisiense: um pequeno salão com um simpático bar ao fundo, fotos em preto e branco, espelhos na parede para dar sensação de amplitude e um vitral no teto. Mas o público e o preço (como descobrimos depois) destoam dos bistrôs franceses. "Aqui está mais para Gero", compara Romeu com o restaurante do grupo Fasano, ao ver casacos chiques, muita joia e maquiagem no salão.

O burburinho e as mesas apertadas não incomodaram o jantar. Como entrada, o maître recomendou uma terrine de foie gras. "O chef acabou de prepará-la; está fresquíssima", contou. E, assim, Romeu escolheu a iguaria de pato ao armagnac e purê de pera (R$ 60), uma opção certeira e saborosa - a única falha estava no tempero, com o sal concentrado numa parte da terrine.

A minha escolha não foi tão feliz: pedi a terrine de alhoporó com aspargos e vinagrete de laranja (R$ 28), que tinha bom frescor, mas o sabor do alho-poró se dissipou com o cozimento. Mantivemos o espírito francês e pedimos um vinho nativo para acompanhar os pratos principais.

O sommelier nos ajudou a escolher o Chartron La Fleur Rouge 2005 (R$ 77, e na importadora, R$ 47,17). O tinto combinou bem com as tenras e saborosas costeletas de cordeiro grelhadas ao molho do assado (R$ 63), acompanhadas de batata gratinada - outra sugestão sábia do maître para Romeu.

O vinho também harmonizou com o meu pato assado com pimenta preta em dois serviços (R$ 55), entende-se o peito e a coxa da ave. O primeiro estava com a pele crocante, mas faltou um pouco de umidade, e a coxa, de carne mais escura, veio desmanchando.

Ambos receberam um toque adocicado com as endívias caramelizadas, que escolhi entre as nove sugestões de acompanhamento. Na dúvida entre quais dos doces franceses pedir, optamos pela degustação de sobremesas (R$ 28, para duas pessoas), todas corretas: petit gâteau de chocolate com sorvete de baunilha, crème brûlée e mil-folhas tradicional.

Ao final, o clima de bistrô ficou firme no paladar, mas não na conta. O custo final, de quase R$ 400, deixou uma dúvida no ar. Será que voltaríamos ao Le Marais? "Com certeza no almoço executivo, a R$ 43", diz Romeu. É um bistrô para bolsos mais sofisticados

Nesta crítica de restaurante, Romeu e Julieta, um casal anônimo e especialista na arte de comer bem, avalia uma casa de destaque no cenário gastronômico brasileiro. Escolhemos um homem e uma mulher por acreditar que eles e elas costumam ter sensações diferentes à mesa.

 



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