A evolução do Almaviva O enólogo francês Michel Friou apresenta no Brasil cinco safras do tinto chileno, uma parceria das vinícolas Baron Philippe de Rothschild e Concha Y Toro
por Suzana Barelli
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O enólogo Michel Friou, o vinhedo com a moderna vinícola ao fundo, a sala de barricas
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O Almaviva é daqueles vinhos que dispensam maiores apresentações. Resultado de uma parceria entre duas vinícolas de renome, a francesa Baron Philippe de Rothschild e a chilena Concha Y Toro, este tinto já nasceu famoso, em 1996. Elaborado no Chile, principalmente com as uvas Cabernet Sauvignon e Carmènere, o vinho soube manter a sua fama nas safras seguintes.
Mesmo assim, o enólogo Michel Friou faz questão de apresentar o vinho, atualmente vendido por R$ 490 a garrafa, e mostrar como a bebida está evoluindo no tempo. Foi o que ele fez em meados de agosto, a convite da importadora Casa do Porto, quando conduziu uma prova de cinco safras - 1998, 2001, 2002, 2004 e 2005 - e deu a seguinte entrevista para a Menu.
O que o trouxe ao Brasil?
Vim para realizar diversas degustações do Almaviva. A ideia é mostrar como o vinho está evoluindo no tempo. Desde o início, buscávamos esta evolução e queremos mostrar que estamos no caminho certo. Na comparação entre as várias safras, conseguimos apontar como a equipe técnica aprendeu sobre o terroir e como o nosso conhecimento e as mudanças tecnológicas vêm influenciando na qualidade do vinho.
Qual a sua safra preferida?
Impossível responder. 1998 é uma safra complicada. Foi um ano difícil, com o fenômeno do El Niño, e este vinho está evoluindo muito bem; 2001 também é uma boa colheita e depois alternamos colheitas interessantes em anos pares e ímpares.
O que mudou com a sua chegada à vinícola Almaviva em 2007?
Quando temos a responsabilidade de um grande vinho, que nasce em um terroir, o mais importante é manter a sua identidade, o seu caráter. Hoje trabalhamos para um vinho mais puro e buscamos uma qualidade de taninos mais finos e elegantes
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Uvas do vinhedo em Puente Alto, no Chile
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É verdade que os anos ímpares são melhores para os vinhos chilenos?
Tem um esquema que permite dizer que os anos ímpares são marcados por uma primavera seca e calorosa, sem chuva ou complicações climáticas. São colheitas com muita concentração e cor. Por outro lado, há colheitas pares que têm sido mais complicadas, mas não ruins. Alguns anos pares não têm a mesma concentração, mas apresentam uma qualidade de taninos macios, ideais para os vinhos que se consomem mais cedo.
Qual o melhor terroir do Chile: o de Puente Alto, onde está o vinhedo da Almaviva, ou o Vale de Apalta, onde você trabalhou na Casa Lapostolle, outra grande vinícola chilena?
Há vários lugares que podemos considerar boas zonas no Chile, cada um com uma variedade bem definida. Puente Alto para a Cabernet Sauvignon; Apalta para a Carmènere; Casablanca para a Chardonnay e Leyda para a Sauvignon Blanc. A riqueza do Chile é termos grandes terroirs, não porque são grandes, mas porque são muito bons para cada uva.
E com qual variedade o sr. prefere trabalhar: Cabernet ou Carmènere?
As duas são distintas. É sempre difícil fazer grandes Cabernet Sauvignon. São vinhos que precisam de mais cuidado, que têm uma carga tânica mais importante. A cepa Carmènere entrega muita cor, muito volume. Os grandes vinhos Cabernet são mais austeros no início e precisam de tempo. Também gosto de complementar uma cepa com a outra, para criar mais complexidade e balanço. Em Apalta, a Carmènere ganha complexidade mesclada com a Merlot. E em Puente Alto, complementamos a Cabernet com a Carmènere.
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