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Home: Revista: Vinhos Setembro/2009

Espanha
Em nome do terroir
As ideias do produtor Miguel Angel Cerdà, que elabora o premiado Anima Negra

por Suzana Barelli

foto Juca Rodrigues

O catalão Miguel Angel Cerdà colocou a espanhola Mallorca no mapa vinícola mundial. Nesta montanhosa ilha do Mediterrâneo, quase desconhecida por seus brancos e tintos, ele segue, como poucos, o conceito de terroir.

Seus vinhos são elaborados apenas com variedades nativas, como as tintas Callet (a sua preferida), a Montonegre e a Fogoneu. A exceção é a Syrah, que entra em um dos seus tintos, mas esta uva vem de um vinhedo antigo da própria ilha. Todas as vinhas são plantadas sem porta-enxerto, em pé franco, técnica praticamente abolida na Europa no século passado depois da praga filoxera.

A bebida envelhece em barris de carvalho francês com tostagem baixa, para que as notas da madeira não passem para o líquido, entre outros exemplos. E Cerdà diz interferir ao mínimo no vinhedo. "Quem faz os vinhos são as plantas, não os enólogos", afirma ele.

Não é à toa que, em sua terceira viagem ao Brasil em apenas um ano e meio, Cerdà foi um dos destaques do Tour Mistral 2009, encontro de vinhos realizado no final de agosto. Em seu estande, ele apresentou os seus quatro rótulos aos presentes.

São eles o branco Quibia, uma mescla da branca Prensal (60%) com a tinta Callet (40%),vinificada em branco (R$ 84,55 a safra de 2007); e os tintos Anima Negra An (R$ 240,30, da safra 2005), Anima Negra An 2 (R$ 122,55, também de 2005) e o premium Son Negre (ainda não disponível).

Entre um vinho e outro, ele afirmava que foi o respeito ao terroir que lhe trouxe o reconhecimento da crítica especializada. O badalado norte- americano Robert Parker é um exemplo: ele deu 92 pontos, na escala de até 100, para o Anima Negra An, e 94 pontos para o Son Negre, ambos da safra 2005. Conheça, a seguir, as principais ideias deste simpático catalão.

No vinhedo
Cerdà é fã das vinhas antigas, que são plantadas no sistema de condução chamado de vasos, como pequenas árvores (o mais moderno, nos vinhedos, são as vinhas em espaldeiras, com as plantas unidas entre si). E no terreno há também várias árvores frutíferas. "Descobrimos que, assim, as frutas têm mais sabor, tanto as uvas como as ameixas e o damasco", conta. Mas ele desconhece qualquer explicação que justifique esse fato.

Fermentação
A vinícola Anima Negra está abandonando os tanques de inox utilizados na fermentação dos vinhos com controle de temperatura. A ideia é vinificar todas as uvas, brancas e tintas, em tanques de cimento, também com controle de temperatura. "As leveduras (que possibilitam a fermentação) trabalham de forma diferente no inox. No cimento, o vinho resulta em um sabor mais puro", afirma. E muitos dos seus tanques são antigos, construídos para armazenar leite no passado.

Vinificação em branco
A Anima Negra começou com os tintos. O branco só chegou ao mercado recentemente, na safra de 2007. Não que os sócios não quisessem ter um vinho branco, mas não se contentavam com a bebida que nascia da uva Prensal. A solução foi vinificar a tinta Callet em branco (sem contato com as cascas) e mesclar com a Prensal. "Acredito que chegamos ao modelo de branco que acreditamos, com boa fruta e acidez", afirma.

Barricas
Formando em química, o catalão conta que, por desconhecer vários princípios da enologia, muitas vezes trabalha no método de tentativa e erro. E, para não errar no uso da madeira, opta por barricas de tosta leve, que interferem bem menos no vinho.

Os destaques do encontro de vinhos

fotos divulgação

Vallontano Espumante Brut Rosé
O enólogo Luiz Henrique Zanini aproveitou o evento para mostrar o seu novo espumante rosado. O vinho tem boas notas de frutas e um agradável frescor, por R$ 39,90.

Vinha Formal 2006
O português Luis Pato ficou famoso por elaborar tintos elegantes com a rústica Baga. Foi deste enólogo o melhor destaque entre os brancos do evento. Elaborado apenas com a uva Bical e com passagem em madeira, ele pode ser guardado por alguns anos. Tem notas de frutas, especiarias e nuances minerais, com frescor e equilíbrio. Custa R$ 113,05.

Trebbiano VDT 2004
A Trebbiano é uma variedade branca de grande produção e pouco glamour na Itália. Por isso, chama a atenção a proposta da Tenuta di Capezzana de elaborar um branco mais sofisticado, até com passagem em madeira, com esta uva, em Carmignano. O resultado surpreende positivamente. Sai por R$ 136,80.

Castello del Terriccio IGT 2004
Em Maremma, na região costeira da Toscana, estão os vinhedos de Syrah, Mouvèdre e Petit Verdot que dão origem a este tinto, classificado como supertoscano. De estilo refinado, tem notas de frutas vermelhas maduras, especiarias e couro. É concentrado e complexo, com o preço de R$ 488,30.

 

 



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