Adega
O fim do selo fiscal Suzana Barelli
Chegou ao fim o debate sobre o selo fiscal, que acirrou os ânimos dos produtores de vinho nacionais nos últimos meses. A ideia de colocar uma etiqueta que garantisse a autenticidade de cada garrafa e, assim, evitasse o contrabando foi descartada pela Receita Federal e comemorada, principalmente, pelos pequenos produtores. "Temos um excedente de produção de 150 milhões de litros de vinho. É um problema muito mais sério, e sem solução, do que a estimativa de até 15 milhões de litros de contrabando", afirma Luís Henrique Zanini (foto), da vinícola Vallontano. Num cálculo estimado, Zanini diz que o seu recémlançado espumante rosé, elaborado com Pinot Noir e Riesling Itálico, custaria R$ 41 com o selo e não os R$ 39 do catálogo (o vinho é vendido pela Mistral).
Vinhas antigas
Os vinhos da chilena Santa Helena estão entre os rótulos preferidos dos brasileiros. Por isso, vale a pena saber quais os próximos lançamentos da vinícola. Descansa em barricas, com plano de ser engarrafado agora em outubro, o Parras Viejas Cabernet Sauvignon 2008. É a primeira safra deste tinto, que nasce de um vinhedo de mais de 90 anos. Ainda com muita madeira, o vinho tem notas de frutas vermelhas (cassis), boa acidez e taninos bem moldados. Ainda sem preço definido, deve ser posicionado entre o Notas de Guarda e o Don (foto), os dois rótulos premium da vinícola, e importado pela Interfood.
A especialista de Bordeaux
A brasileira Ana Paula Galvani é uma expert em vinhos de Bordeaux. E é de Nova York que ela traz os seus conhecimentos ao Brasil. Funcionária da Sherry-Lehmann, uma das mais tradicionais lojas de vinhos e destilados de Manhattan, ela está acostumada a ensinar sobre as margens esquerda e direita da badalada região francesa para os brasileiros que visitam a loja à procura de suas valiosas dicas. E foi este know-how que ela trouxe recentemente ao País, numa harmonização de rótulos franceses com um cardápio italiano do restaurante Piselli, em São Paulo.
Formada em Boston (EUA) e com estágios em diversos châteaux bordaleses - atualmente ela está no Château Margaux, onde ficará por dois meses -, Ana Paula apresentou cinco vinhos desta região que representa 14% dos vinhedos franceses e um rótulo-surpresa. Era o Topiary 2007, tinto de estilo francês, elaborado no Estado da Virginia (EUA), com consultoria de Stéphane Derenoncourt, enólogo especializado em Bordeaux, claro.
Na prova, Ana Paula mesclou dicas sobre a região e diversas informações históricas. Uma delas é que o tinto Leoville-Barton deve ser decantado pelo menos três horas antes de servir. "É o próprio dono do château quem ensina. Este é o tempo necessário para este vinho revelar os seus sabores", afirma. Outra é que o Mouton Rothschild tem, em seus vinhedos, a cepa Carmenère, que era dada como desaparecida em Bordeaux. Os vinhos degustados foram Lynch-Bages Blanc 2006, Leoville-Barton 2001, Lynch-Bages 2001, Pichon-Lalande 2001 e Rieussec 1996. |
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